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Entrevista: Chullage

Rapper critica falta de oportunidades para descendentes africanos.

Atualmente a preparar um novo trabalho, Chullage assume posições críticas em relação à situação política, económica e social em Portugal. Denuncia desigualdades e falta de oportunidade para os jovens da sua geração.

Chullage é o nome artístico de Nuno Santos, um rapper luso-cabo-verdiano inquieto e interventivo. O jovem veicula através das suas canções problemáticas sociais e políticas em relação às quais tem uma atitude crítica.

Uma delas, muito notória nos seus três albuns editados em Portugal, prende-se com a vida difícil dos imigrantes e as políticas erradas que não favorecem uma integração plena, sobretudo dos africanos que vieram em busca de um futuro melhor.

O rap é um veículo de denúncia para Chullage: “a primeira música começou por falar de temas como racismo, como viver num bairro, aquela mensagem é algo que nunca tinha ouvido em nenhuma outra música”, recorda.

O rapper conta que os seus pais vieram para Portugal em 1973-74. “O pai e a mãe do meu pai eram contratados em S. Tomé e eles iam contando várias coisas. E também eu sabia que os pais saíam de madrugada e voltavam à noite. Portanto, todas essas questões estavam naquela música que era o rap”, lembra Chullage.

Foi à margem da recente edição do Festival Músicas do Mundo, em Sines, que a DW África entrevistou Chullage, músico, poeta, produtor e ativista associativo, considerado um dos mais credíveis artistas do panorama hip-hop nacional.
Rap e spoken word
Foi no bairro 28 de Maio do Monte da Caparica, na margem sul do Rio Tejo, que nasceu o gosto de Chullage pelo rap. “Comecei muito novo, aos 12-13 anos, a entender o rap, que era um tipo de música que falava muito da minha realidade em Portugal e da realidade do que era viver numa diáspora”, explica o músico.
Nascido em Lisboa e criado no asilo do referido bairro, este MC da freguesia da Arrentela, no Seixal, tem dado provas do seu talento.

Em 2001 lançou o primeiro álbum, “Rapresálias”, em 2004 lançou o disco “Rapensar” e em 2012 o trabalho intitulado “Rapressão”.

Paralelamente, Chullage começou a fazer “spoken word”, uma forma de arte em que as letras de músicas, poemas ou histórias são faladas em vez de cantadas, assim como outros tipos de trabalho, tudo a partir do rap. O objectivo é despertar consciências por força das suas rimas.

Nas pegadas de Amílcar Cabral

Atualmente, em tempo de crise em Portugal, Chullage é crítico em relação às razões que levam os jovens a emigrarem. Ou ainda em relação ao futuro incerto da geração dos jovens descendentes de imigrantes nascidos em Portugal, como ele.

Chullage (esq.) fez parte do cartaz do Festival Músicas do Mundo, onde participou na homenagem a Amílcar Cabral .

“Eu vejo uma juventude super talentosa, super hostilizada, muito mal tratada, pior do que o que já foi”, avalia o músico.

Sobre essa questão debruça-se a Associação Plataforma Gueto, da qual Chullage faz parte. Nos últimos tempos, o artista luso-cabo-verdiano tem vindo a aprofundar estudos sobre a vida e obra de Amílcar Cabral.

Nesta fase de mudança, adotou por isso o lema por uma nova “Unidade e Luta”, inspirado no pensamento e na visão que o pai da nação guineense defendeu quando conduziu a luta pela independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde. Para Chullage é um privilégio ter na história de África uma figura como Cabral.

Fonte: Dw

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