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Underground Lusófono Entrevista: Agente Supremo

Boas pessoal da Lusofonia a.k.a CPLP, trago-vos mais uma entrevista exclusiva. Desta vez com o rapper angolano Agente Supremo.

Mc natural de Luanda, entrou no Hip Hop em 2003 apaixonado por Freestyle e em 2004 ganha notoriedade pela sua curta passagem no programa radiofônico “Big Show Cidade”. Três anos mais tarde
grava o seu primeiro som com o tema “Geração 50 Cent” (2007) música esta que chama a atenção de Boni (Diferencial Produções) que em 2008 o convida a trabalhar com a produtora sem qualquer vínculo contratual.

Underground Lusófono: Boas Mano!

Agente Supremo: Boas, mano!
Saudações cordeais, p´ra ti “Luso Underground” e aos eventuais leitores desta entrevista! Desde já aproveito a ocasião, para agradecer encarecidamente pela oportunidade que foi concedida, com o intuito de abordar algumas questões ligadas a minha entidade artística, ao meu álbum por sair, e outras, concernentes ao HIP-HOP, de modo geral.
Underground Lusófono: Quem é o Agente Supremo?
Agente Supremo: Obrigado pela pergunta! O Agente Supremo é uma entidade artística, que por meio do RAP procura trazer a ribalta informações inéditas e de carácter oculto, que são arquitectadas nos bastidores da sociedade.
Underground Lusófono: De onde surge o nome Agente Supremo?
Agente Supremo: Bem, o nome Agente Supremo surgiu da necessidade de se estabelecer uma correlação entre o título que me identificaria dos outros rappers e o tipo de RAP que eu me predispus a fazer. Sendo este, de carácter altamente crítico-interventivo.
Underground Lusófono: Como e quando foi o teu primeiro contacto com o Rap?
Agente Supremo: Olha, o meu primeiro contacto com o RAP, foi soberbamente indescritível, tal qual o cego de nascença que, quase que por mágica, vê pela primeira vez a luz a triunfar da escuridão ocular. Porque, é importante realçar, que antes de ter descoberto o Rap, eu era um Miúdo atormentado; sabia de muita coisa “vá-se lá saber como, e porquê” que afligiam-me ao ponto de querer partilha-las com as pessoas, porque eram coisas que eu sentia que os outros deviam saber, com uma urgência vertiginosa; foi como que, o descobrir que finalmente passariam as aflições e os tormentos internos, porque havia encontrado uma forma de partilhar com os outros, tudo o quanto sabia e suspeitava.
Agora, o primeiro contacto como aspirante a Rapper, surge mesmo quando por um Primo meu “Sandro”, tive acesso a uma cassete do Big-Show Cidade… E que dada a noção que eu já tinha sobre o que queria fazer- Músicas de Intervenção Superior -, a matriz primaria que eu decidi adoptar como base foi a do Rapper Estremo Signo; Rapper este, que na altura parecia-me ser a melhor plataforma p´ra eu assentar as minhas bases.
Underground Lusófono: O que é que te incentivou a fazer Rap?
Agente Supremo: O mesmo sentimento que incentiva um Talibã, a cometer suicídio defronte a uma base Norte-Americana, implantada em país alheio!!.
Underground Lusófono: Donde vem a tua inspiração?
Agente Supremo: Olha, essa é daquelas perguntas que quase sempre deixam-me intrigado, fazendo-me mesmo pensar que “Todos são sábios, menos eu”. Pelo simples facto de eu – contrariamente a muitos outros – ser dos poucos cuja inspiração não provém do dia-a-dia!

Longe de ser uma consequência influenciada por factores externos, a minha inspiração é uma consequência de carácter endógeno. Ela surge naturalmente e sem aviso prévio; significando, que eu deva estar sempre voltado p´ra o interior e sobre intenso estado de alerta e concentração. Do contrário, tenho de admitir, eu não sei o que escrever!
Underground Lusófono: Quando é que começaste a trabalhar no seu álbum “Luz do Túnel”?
Agente Supremo: Bem, enquanto produto mentalizado, a concepção artística do conceito “Luz do Túnel” remota de muitos anos atrás. Pois, o mesmo foi primeiramente idealizado para ser elaborado no formato de um livro, muito antes de eu pensar em fazer Rap. Contudo, dada a tal descoberta que eu acabei por fazer a posterior, de que com o Rap, a minha mensagem chegaria com maior celeridade às pessoas, acabei portanto, por em 2004/2005 – quando apresentei as primeiras letras ao Ibrivernáculo, que ajudou-me a formar uma imagem mais plástica daquilo que seria o produto final do álbum – por readaptá-lo para um formato Musical.

Agora, em termos de execução material, o álbum começa a ganhar corpo tangível, nos finais dos anos de 2008 e princípio de 2009, quando o Boni mostrou-se interessado em trabalhar comigo independentemente das condições financeira que eu na altura, não ostentava.
Underground Lusófono: Porque o nome “Luz do Túnel”?
Agente Supremo: Porque tu precisas de saber o que o sistema quer que tu não saibas. Ou seja, as pessoas precisam estar por dentro das manhas, maquinações e conspirações que o sistema governamental e mundial, orquestram nos bastidores da sociedade, enquanto elas se vão entretendo.
Underground Lusófono: O que é que podemos esperar do seu álbum em termos de Flow, Líricas e Participações?
Agente Supremo: Este álbum “Luz do Túnel” combina nas mesmas estruturas, duas coisas incomuns p´ra o Rap Angolano; Amplitude e Profundidade. Portanto, ele comporta letras elevadamente compostas – que priorizam as informações inacessíveis á maioria – assentes em combinações de métricas muito regulares dentro de uma destreza cujo enquadramento harmónico, faz vergar sobre si, as componentes envolventes nos instrumentais. Sem contar que, Para além das 15 faixas inclusas no álbum, os prováveis ouvintes poderão tornar-se leitores. Ou seja, eles terão o sublime prazer de desfrutar das 15 sínteses explicativas concernentes a cada faixa do álbum.
Agora, em termos de participações vocais o álbum retém artistas como, Organoydz, Ibrivernáculo, Flagelo Urbano, Fagman, Stanis, Nair, e Lucas de Sousa. A nível de instrumental, conta com as participações de Boni “o Diferencial”, Ricardo “2R”, Sam The Kid, e Flagelo Urbano. E finalmente, a nível de Cutz, tem a participação do DJ Nelassassin “ o Sr. Alfaiate”.
Underground Lusófono: Quem produziu o álbum?
Agente Supremo: O álbum foi todo ele produzido pelo Boni, na Diferencial Produções. Claro que houve alguns impulsos indirectos de outras pessoas, como o Ricardo, o DV “Davince”, Ibrivernáculo, o Organoydz. Contudo, o álbum teve mesmo como chefe de cozinha o Boni.

Underground Lusófono: “Luz do Túnel” sai nas ruas sob selo de que editora/ produtora?
Agente Supremo:  O álbum tem a edição da editora “STOP Nega Record” e a produção da produtora “Diferencial Produções.”.
Underground Lusófono: Em suas letras eu vejo uma defesa clara do espírito original do Hip Hop e da mensagem, longe do rap comercial que vemos hoje em dia. O que você acha da evolução do rap?
Agente Supremo: Sim, claro…! Sabe que, quando as pessoas encontram-se tão famintas – ao ponto de não conseguirem mais distinguir o comestível do incomestível – elas irão comer aquilo que mais se parece com a comida. Este é o estado do Rap actual… Vêm uns Neuróticos, e cantam que construíram um castelo no Ar. Os Psicóticos matam-se desejosos p´ra morarem nele. E finalmente, há os tais Psiquiatras, que ainda assim, organizam-se p´ra cobrar o Aluguel.
Portanto, parece-me que está-se a cria aí um antro de “infelizes” que desconhecem a ferramenta que têm em mão “HIP-HOP/RAP”. E, ainda há os outros, que conhecendo tal ferramenta, usam-na de modo indevido; Como alguém que usa o chapéu p´ra cortar a tecido muscular de um animal!
Agora, essa forma de encarar o Rap, não serve para o caminho, não é o caminho, e não nos colocará no caminho.
Underground Lusófono: Como tu vês a cena do Hip Hop independente em Angola? Achas que está no bom nível?
Agente Supremo: Hip-Hop independente? Não, não me parece… O Hip Hop teve/tem uma Matriz vectorial “pelo menos quando os Afro-Americanos e Latino-Americanos concluíram e entenderam que podiam dar maior utilidade a esta arma que eles possuíam”.
Fazendo uma incursão ao tempo, é comovente saber como alguns afro-americanos e latino-americanos usavam o Hip-Hop p´ra se libertarem da opressão vigente na altura. Uma simples escrita grafitada nas paredes das estações do metro, dizendo não ao racismo “no racism”; um simples movimento acrobático propulsado com toda energia, libertando a tensão que se cria quando se está oprimido: um simples encontro fraternal nas tardes de domingo ao som agradável de músicas, até então marginalizadas, tocadas por alguém conhecedor da mixagem; e um simples verso mesclado de esperança dizendo queremos mudanças “we need change”, significou muito p´ra aqueles povos excluídos… Agora, não sejamos nós a desrespeitá-los, com impurezas Anti-HipHop, que só turvam as águas límpidas dessa cultura! Claro que actualmente vivemos num contexto diametralmente diferente… porém, o inimigo “ Sistema” é o mesmo; só que agora, com novas tácticas!
Antes, usávamos o Hip-Hop contra o sistema… Hoje, o sistema usa o Hip Hop contra nós…!
Underground Lusófono: Como foi participar numa das Músicas do álbum “Proibido ouvir isto” de MCK?
Agente Supremo: A minha participação no álbum do MCK, não obstante ter traduzido uma sublime oportunidade que me foi concedida, no final das contas, acaba por ser sintomático duma consequência natural da minha própria evolução.
Underground Lusófono: Para terminar deixa uma linha de Freestyle ou uma mensagem para o pessoal que acompanha o movimento?
Agente Supremo: Ao invés de fazer um Freestyle – que eu prefiro fazê-lo mesmo “live & direct” – eu gostaria mesmo era de deixar aqui os meus contactos, para que todos aqueles que quisessem interagir, partilhar, discutir, criticar, sugerir, e etc… assim o pudessem fazer.
Agente Supremo Contactos:
Por: Daniel Macedo
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Sobre Underground Lusófono

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