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Primeiro disco solo do Mano Brown deve se chamar “Boogie Naipe”

Um dos CDs mais aguardados do RAP Brasileiro deve sair em 2014. Por incrível que pareça não estamos falando do CD do Racionais, mas sim de um de seus membros: o primeiro disco solo do Mano Brown.

Tudo bem que, assim como o disco do grupo, falar em datas é apenas torcer, pois não há nada confirmado. Entretanto, para o rapper revelar detalhes do trabalho, é bem provável que ele já esteja nas partes finais de verdade.

Já em abril, quando a revista Fórum publicou entrevista com ele, algumas informações foram soltas. “Eu não estava falando de chacina, de nada disso, estava preparando um disco de música romântica, aí começou a morrer gente aqui e tive que fazer alguma coisa”, disse o rapper em relação à chacina que matou sete pessoas na região do Campo Limpo (entre elas DJ Lah, ex-integrante do grupo Conexão do Morro), zona sul paulistana, em 5 de janeiro.

No mesmo mês, quando participou da estreia da DJ Pathy Dejesus no TOP 10, da MTV, Brown afirmou: ”hoje em dia é legal falar o que vai ser feito, mesmo porque já tá quase pronto mesmo, então eu já posso falar que vai ter. Eu to terminando um disco que se chama ‘Boogie Naipe’.”

Embora não seja uma “Vida Loka”, a expressão que dá nome ao novo trabalho já é conhecida dos fãs do rapper e do Racionais, afinal, ela também nomeia a produtora dos artistas; Eliane Dias, mulher de Mano Brown, é a linha de frente do negócio.

“Boogie” é um ritmo originado nas raízes do blues, já “Naipe” seria o estilo, normalmente referente a um estilo que se destaca (“olha o naipe daquele cara”). Pra quem sempre busca um trabalho original e produz um CD inspirado na disco funk, o rapper parece ter feito uma boa interessante.

Além Lino Krizz, Hyldon e outras possíveis participações brasileiras, o rapper ainda contará com Leon Ware, parceiro de Marvin Gaye, ambos referências musicais.

“Outro dia, um mano me falou que a [música] ‘Dance, Dance’ [de Brown e Augusto Bapt, com participação de Seu Jorge e de Don Pixote] é a música do casamento dele com a mina que ele conheceu em um baile black [na Vila Madalena, berço da boemia paulistana]. É isso o que quero agora. Nunca tinha sentido aquilo”, desabafa Brown à Rolling Stone Brasil.

Com isso, o rapper deve chocar seus fãs. Não será nada comum para eles ouvir os versos da inédita “Mal de amor”: “Eu lamento, amor/ Hoje eu peço paz/ Agora quem não quer sou seu/ Não, não quero mais/ Lá, laia, laia, laia/ Nada do que foi será/ mas tudo passa, tudo passará/ que jogo louco é o amor/ no submundo onde estou”.

Mas, esse choque e as possíveis críticas, de maneira alguma preocupam Mano Brown. “Ninguém vai algemar o Pedro Paulo. Ninguém vai me fazer Mano Brown o tempo todo. Pode esquecer. Querer fazer a minha vida virar Racionais o tempo inteiro ninguém vai. Na minha vida mando eu. Eu quero que as pessoas sejam livres e eu também sou”, afirmou ele logo depois de mostrar toda sua defesa à liberdade:

O rap não pode ser limitante. O negro já tem tantas limitações no Brasil, tantas regras e o rap ainda te põe mais cerca. Não pode isso, não pode aquilo. O rap nasceu da liberdade e da expansão das ideias. É mais comovente se apoiar na fraqueza e divulgar isso, lavar roupa suja o tempo inteiro, expor as fragilidades o tempo todo, na feira livre. Teve um momento em que isso foi preciso. Hoje em dia é exposição, é Datena, que entra na casa das pessoas e mostra a panela suja, o cara morto embaixo da cama, é isso aí. Teria que ser isso e eu não quero ser isso.

Confira uma lista de inéditas do Mano Brown que devem estar no trabalho:

“Mal de amor”;
“Foi Num Baile Black” (com participação de Hyldon e Phil Batista);
“Eu Te Proponho”;
“De Frente Para o Mar”;
“Manhã de Carnaval”;
“Amor Distante”;
“Você e Eu Só”;
“Cigana”.

Fonte: Vai ser rimando & Rolling Stone Brasil .

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