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Underground Lusófono Entrevista: Crônica Mendes

Mais uma entrevista exclusiva do vosso blog, desta vez com o rapper brasileiro “Crônica Mendes”. O Rapper lançou no mês passado (Novembro) o seu primeiro álbum intitulado “Até onde o coração pode chegar.

Underground Lusófono: Quem é o Crônica Mendes?
Crônica Mendes: Sou um rapper, rapeiro, mc de protesto, entretenimento, conhecimento e informação. Faço música com sentimentos que vão das ruas aos livros, um ser humano que acredita no poder de transformação vindo das rimas e poesia do rap nacional.

Underground Lusófono: De onde surge o nome Crônica Mendes?
Crônica Mendes: Nossa vida é uma crônica, nosso cotidiano, meu nome vem daí, das ruas, e somado ao meu sobrenome original.

Underground Lusófono: Como e quando foi o teu primeiro contacto com o Rap?
Crônica Mendes: Foi aos 11 anos na escola, quando comecei a questionar as “histórias do Brasil” em meus textos. Ali nasceu meu lado poeta que mais tarde foi musicalizado após ouvir uma música do Amado Batista chamada Favela. Daí em diante eu vi que podia rimar os meus textos e minha poesia e assim espalhar melhor a mensagem, as minhas interrogações. Com o tempo o rap me recrutou mostrando que tinha gente igual a mim cantando uma realidade igual a minha e eu me identifiquei na hora. As rimas do PMC me tomaram de assalto, eu queria fazer aquilo ali, igualzinho (risos), minhas primeiras letras tinha muitas rimas vindas das músicas dele. Só depois fui me descobrindo, veio Racionais, Gog, Câmbio Negro… Fui crescendo e sendo bombardeado por esses manos na linha de frente das minhas influências, mas nunca deixei de lado aquele primeiro sentimento que tive ao ouvir a música do Amado Batista, levo ela comigo pra sempre.

Underground Lusófono: O que é que te incentivou a fazer Rap?
Crônica Mendes: Compartilhar com as pessoas as minhas opiniões, ideias, ideais, também foi o jeito que encontrei para me comunicar com as pessoas de fora do meu convívio, pois a timidez sempre me fez refém e me isolou muito na infância.

Underground Lusófono: Donde vem a tua inspiração?
Crônica Mendes: Vem das ruas, dos livros, de um bate papo, de um outro som que não rap. Não tenho um lugar fixo para tirar a inspiração, ela me vem de tantas maneiras e tantos lugares.

Underground Lusófono: Qual foi o teu primeiro som?
Crônica Mendes: Foi uma música chamada “Família Amargurada”. Na época eu fazia parte do grupo Consciência de Rua, grupo formado nas ruas do Jardim São Jorge (Hortolândia), era eu e mais 5 amigos: Luciano, Fernando, Jubão, Welder e eu. A música contava a história de uma família desestruturada, sem perspectiva alguma, nós pegamos pessoas do nosso bairro, cada um com um problema diferente, reunimos todos numa letra, criamos uma família com problemas reais e as pessoas se identificaram com a música. Cantávamos nos comícios, nos sons de rua, nos encontros da turma, onde tinha mais de uma pessoa lá estávamos mandando nossa rima.

Underground Lusófono: Quais foram as dificuldades que tiveste no inicio da tua carreira?
Crônica Mendes: Na minha época nenhuma mãe, ou pai queria vê seu filho se arriscando nas ruas pra fazer o rap, pois era muito perigoso ficar rimando nas ruas, éramos os vagabundos, os bandidos no estilo ‘Os donos da Rua’, a gente se divertia muito com isso. Na minha época fazer rap era de fato profissão perigo, ou melhor não era profissão, era um sonho perigoso, ninguém tinha perspectiva de chegar aos 21 anos de idade, éramos alvo da polícia e da comunidade, todo mundo era contra. Então remávamos contra a maré, cantávamos para nós mesmos e para outros grupos de rap, o público era praticamente 90% grupos de rap. Ser aceito como um formador de opinião, um cidadão, foi uma luta intensa, nossa imagem era de jovem perdido, mau educado, ladrão que merecia ser preso ou morto ao invés de “ficar cantando essa coisa rap, coisa de quem não tem o que fazer.”

Underground Lusófono: No inicio do mês passado (Novembro) lançaste o teu 1º álbum “Até onde o coração pode chegar”, sem duvida um dos clássico do rap brasileiro desse ano. Fala-nos um pouco do teu álbum. Quando é que começaste a trabalhar no teu álbum “Até onde o coração pode chegar”? O que é que podemos esperar do teu álbum em termos de Flow, Líricas e Participações?
Crônica Mendes: O álbum é mais um sonho que se torna realidade, um trabalho elaborado em dois anos juntamente com uma equipe maravilhosa e altamente profissional. Neste trabalho busquei derrubar barreiras, construir pontes e tratar a música rap com o amor e profissionalismo. Me permiti mais neste disco, reuni um time de convidados no qual sempre tive a vontade de trabalhar, como Fernando Anitelli (O Teatro Mágico), Rashid, Sérgio Vaz, Nego Jam, Dona Kelly, ter o dj Buiu Silveira como dj fixo do meu trabalho também foi uma das grandes conquistas deste disco. É muita gente envolvida, o disco é solo, mas não sozinho.

Underground Lusófono: Porque o nome “Até onde o coração pode chegar”?
Crônica Mendes: Todo mundo tem um limite. Qual seu limite na vida, no rap? Até quando você aguenta viver sob pressão, numa globalização que te reduz o tempo todo? Até quando você aguenta viver no rap? Se você o faz por amor, até onde o seu coração pode chegar? Essas são reflexões que o titulo permite, mas o mesmo não é uma pergunta e sim uma afirmação, daí uma nova reflexão se faz presente.

Underground Lusófono: Quem produziu o álbum?
Crônica Mendes: O álbum foi todo elaborado por mim, maestro Dj Raffa e Nina Fideles, a produção oficial ficou por conta do Dj Raffa e também tem produções de Eduardo Beats, Diogo Santos e também do americano Simina Beats e umas coproduções de Branco Neves.

Underground Lusófono: Como tu vês a evolução do hip hop Brasileiro?
Crônica Mendes: Está crescendo no profissionalismo, isso é muito bom, mas ainda precisa ressaltar a importância do conteúdo das letras, pois temos crianças nos ouvindo, pais, professores, não podemos perdê-los por conta do vazio de algumas letras.

Underground Lusófono: Projectos para o futuro?
Crônica Mendes: Acabei de lançar meu disco ele é o meu presente e futuro. É hora da colheita.

Underground Lusófono: Para terminar deixa uma linha de Freestyle ou uma mensagem para o pessoal que acompanha o movimento?

Crônica Mendes: Não faça da música inimiga da gente.
Este é o salve.
Crônica Mendes

Facebook: Crônica Mendes

Por: Daniel Macedo
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