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Underground Lusófono Entrevista: Marechal

Boas pessoal da Lusofonia aka CPLP, trago-vos mais uma entrevista exclusiva desta vez com o rapper moçambicano Marechal.

Underground Lusófono: Quem é o Marechal?
Marechal: Marechal um rapper moçambicano residente na capital(Maputo), membro do grupo Magic Sounds onde também fazem parte Street Knowledeg(Produtor oficial), e os rappers Voz Nocturna, Afta e Corte Cir. Actualmente também afiliado ao Estudio Matsinhe Xperience que é um dos melhores estúdios de música em Moçambique.
Underground Lusófono: Donde surge o nome Marechal?
Marechal: O nome marechal surge primeiro da minha paixão pelo ideais do primeiro presidente de Moçambique independente, que é o saudoso Samora Moisés Machel que é único detentor da insígnia de Marechal que distingue-se à um líder carismático que comanda uma guerrilha alcançando a vitória sem se render e sem perder a vida. Então, dai que achei conveniente auto-atribuir-me o distintivo de Marechal por eu ser um guerreiro nato e incansável na concretização dos meus objectivos pessoais e do rap moçambicano em si. O sobre nome “Numero Uno” deriva do Espanhol que em língua portuguesa significa “Numero Um” vem mais para enfatizar que a patência de Marechal é a primeira ou superior do topo para baixo no contexto militar.
Underground Lusófono: Como e quando surgiu a tua paixão pelo rap?
Marechal: A minha paixão pelo Rap surge por ai nos finais dos anos 90 e no inicio do ano 2000. Eu passei a morrar uns tempos na casa dos meus avós na Matola onde fui encontrar meus tios que tinham uns bradas muito undergrounds.Entao, eu costumava por curiosidade juntava-me a eles na sala de casa dos meus avós para assistir ao programa Ritmo Vivo da TVM apresentado por Zito Dogg Style (Membro dos Rappers Unit) e também pelos fresstyles que curtia no programa radiofónico Hip-Hop Time apresentado por Helder Leonel Malele na Rádio Moçambique que depois passou a ser transimitido aos domingos na Rádio Cidade até aos dias de hoje. Daí, eu não parei mais de curtir Rap e sonhava um dia estar no nível dos rappers que eu ouvia na altura a cuspir barras na rádio, tais como: Tropas do Futuro, Banda Podre, Bronxen Clean, Mini Queens, Dinastia bantu, Gpro Fam, Blacks de Pedra( actualmente Xitiku ni Mbawula), Matsangas, Beat Crew, BOC, dentre outros.
Underground Lusófono: O que é que te incentivou a fazer rap?
Marechal: A minha paixão pelo Rap me fez conhecer vários amigos dos quais um chamado Afta em 2002 que por sinal hoje pertencemos ao mesmo grupo viu que eu tinha jeito para repar porqque ele custumava a ver-me no meu quintal a curtir e a dropar(mesmos sem saber) os beats dos Onyx, Flip Mod Squad, Health Skealtah, Wu-tang, Dead Prez,Death Squad, etc. ele já repava e num certo dia resolveu formar um grupo chamado “Presídio dos Incompetentes” que também faziam parte mais uns 8 membros. Afta convidou-me a fazer parte do grupo mesmo sabendo que eu nunca havia antes entrado num estúdio de gravação. No mesmo grupo só gravamos apenas uma música intitulada “Criminalidade” e Volvidos alguns meses o grupo dissolveu-se e deu origem a um outro grupo chamado “Década de 80” em que mais uma vez o Afta convidou-me para junto dele representar. O mesmo contava também com o produtor oficial do grupo Pipaz (Manuel Chau).
Underground Lusófono: Donde vem a tua inspiração?
Marechal: Risos. Nem eu mesmo sei de onde vem a minha inspiração. Mas acredito que me inspiro no meu quotidiano porque eu sou um tipo muito espontâneo em que as ideias fluem assim do nada. Eu posso olhar para o sorriso desdentado dum velho e buscar lá a inspiração ou mesmo nas curvas do corpo duma mulher ou até mesmo do meio onde eu vivo. Então, não tenho uma fonte exacta de inspiração. A inspiração minha é algo espontâneo.
Underground Lusófono: No ano passado (2013), lançaste o teu primeiro álbum intitulado “ Camera. Luz e Acção”! O porque do nome “Camera, Luz e Acção”?
Marechal: Sim. Eu lancei o meu álbum “Camera, Luz & Acção” em Novembro do ano 2013 que foi antecedido pelo prelúdio “Por Detrás das Cameras” que trouxe mais ou menos aquilo que eu pretendia trazer posteriormente com o álbum “Camera, Luz & Acção”. O álbum contou com a produção total dos beatz de Street Knwoledge que é um dos conceituados produtores de Moçambique e por sinal também produtor oficial do meu grupo Magic Sounds. A ideia do álbum, foi de fazer uma longa-metragem em formato áudio em que a Camera, a Luz e a Acção, são os elementos fundamentais para a realização da mesma.
Underground Lusófono: Qual é a mensagem que trouxeste para os moçambicanos neste álbum?
Marechal: A mensagem que trouxe neste álbum, espelham fundamentalmente os dilemas vividos por cada um dos cidadãos naturais de moz e não só, pois qualquer um que escuta o álbum sempre encontra-se numa das faixas.No entanto, procurei trazer no álbum temas que vão de encontro com aquelas que são as preocupações do meu povo, trouxe também algumas narrativas dramáticas sobre o amor, e também não fuji muito daquilo que identifica que eu tenho chamado de liricísmo de “combate” ou seja, freestyle.
Underground Lusófono: Em termos de participações, quais foram os rappers que participaram neste álbum?
Marechal: Neste álbum procurei não me limitar apenas a reunir rappers mas também, convidei alguns músicos nacionais que não têm nada a ver com Rap, tais como: Costa Neto, Abel Laste, Rui Michel, Weezo, Hot Blaze, New Joint, Rosy, Maelly, Miguel Xabindza, Carla Mauel, Grandiosa Magalhães. Mas no que concerne aos rappers que particparam do álbum, convidei rappers que eu admiro e que achei que pudessem enquadrar-se de como eu queria em cada faixa que eles participaram, falo de: Iveth, Magic Sounds, Shackal, Dice, Flow Man, Big Triggah, Plus, TekniK, Duda, Mentor Carismatico, Damani Van-Dunem de Angola, Corte Cir que actualmente representa o rap moçambicano em Cuba, Meccanov da 4ª Vaga, e também contou com os skits feito por Roy Sunshine.

Underground Lusófono: Como foram os processos de gravações e as dificuldades que tiveste para lançar este álbum?
Marechal: Eu já vinha com o sonho de materializar este ano desde 2007 mas, só pude materializa-lo em 2013 com a ajuda do Estudio Matsinhe Xperience e o Grupo Habitante nas pessoas de Soares Matsine a.k.a Prime Akhim e Matt Sebastian a.k.a Dj Speech, que sem receio algum prontificaram-se a ajudar-me a lançar o álbum. As dificuldades foram inúmeras desde o próprio financiamento para materializar o CD físico mas, com a ajuda da Matsinhe Xperience e o Grupo Habitante e também com a ajuda da família, a dama, amigos mais próximos e o apoio moral dos mesus fans fez com que o álbum se materializasse.

Underground Lusófono: O álbum “Luz, Camera e Acção” saiu nas ruas sob selo de que editora/produtora?
Marechal: Infelizmente cá em Moçambique não há editoras, mesmo quando existiam editoras, nenhuma delas era exclusivamente de Rap e nenhuma aceitava editar um álbum essencialmente de Rap se não tivesse algumas músicas comerciais mais para abanar o rabo, por isso que muitos dos rappers que tínhamos sujeitaram-se a seguir os mandamentos dessas editoras para a realização do seu álbum e muitos deles perderam o prestígio diante dos olhos do publico alvo do Rap. Embora, hajam pequenas editoras de rap mas não muito abrangentes, ou seja Labels, muitos dos álbuns de rap lançados cá, são lançados de forma independente ou seja, “Mão-a-mão” e o meu caso não é uma excepção, pois eu lancei o álbum de forma independente, mas suportado pela Mastinhe Xperience, Grupo Habitante e Magic Sounds.
Underground Lusófono: Como tem sido o processo de divulgação das tuas cenas?
Marechal: A divulgação das minhas cenas tem sido positivo, pois algumas das televisões e rádios de cá e internacionais, tem se ocupado em divulgar as minhas cenas. Não só, como também ao nível dos blogs, FB, tenho divulgado as minhas cenas e criando links com outros rappers além fronteiras.
Underground Lusófono: Fala-nos um pouco da Magic Sounds, como e quando aparece no movimento hip hop underground Moz, o grupo está constituído por quantos rappers?
Marechal: A Magic Sounds aparece nos finais do ano 2007 e no inicio do ano 2008 com a ideia do produtor Caz Killha ex-membro do grupo. A ideia surgiu após a mixtape “ Literatura Hip-Hop” por ele orquestrada onde depois do seu lançamento, Caz Killah juntou alguns rappers para o grupo tais como: Eu, Afta, Cardinal One e mais tarde entraram também o Street Knowledge como produtor do grupo e Apolonia e Lígia como coristas do grupo. Grupo não chegou a lancar nada ate a redução do mesmo para 4 membros nomeadamente: Afta, Cardinal One, Street Knowledge e Marechal. Mas, tarde se não estou em erro o grupo apresentou o novo membro do Grupo neste caso, Voz Nocturna passando para 5 elementos. Mais tarde o grupo novamente reduz-se a 4 elementos com a saída do rapper Cardinal One e os restantes membros continuam no grupo até os dias de hoje e com o nome afirmado no movimento Hip-Hop em Moçambique como um dos melhores grupos nacionais de rap.
Underground Lusófono: Como descreves a situação actual do hip hop underground feito em Moz?
Marechal: Não sou a pessoa indicada para responder a essa questão de forma exacta pois actualmente já existem investigadores de rap em Moçambique tal como Magos de Lirio a.k.a Emilio Cossa e Helder Leonel malele que acho que são as pessoas indicadas para responder a esta questão. Mas, do meu ponto de vista, posso ariscar-me em dizer que o Hip-Hop underground esta a cada dia e evoluir em termos quantitativos mas, em termos qualitativos ainda existem alguns aspectos a serem consertados como é o caso de começar a profissionalizarem a coisa rap l, não só fazer o rap como hobbie mas também, começarem a cambiar rimas por dinheiro para que possam dar mais qualidade ao nosso rap, investindo em vídeo clips, gravações de álbuns, pois sem dinheiro não teremos condição alguma de dar qualidade ao nosso movimento visto que não há empresas nem individualidades que patrocinam o hip-Hop no seu todo não só Underground. Todos os investimentos são feitos dos bolsos dos próprios rappers que muita das vezes não chegam a recuperar a mola que gastam. Em suma, Usando uma linha do meu bruddah Real Vice que diz “…Eu tenho amor a camisola, mas também quero dinheiro para lavá-la…” esta citação mostra que alguns rappers como eu agora preocupam-se em fazer a música com profissionalismo, o facto de fazer dinheiro com rap não implica deixar de ser real mcee, o que muitos não sabem e te crucifixam por isso. Mas no fundo, todos em algum momento pensam em fazer dinheiro com rap e viver como Nas, ter uma vida de luxo e repar em paz- já disse o meu bruddah Presságio.

Underground Lusófono: Para terminar deixa uma linha de freestyle ou uma mensagem para o pessoal do movimento.
Marechal: Risos. Uma linha de freestyle faria mais sentido se me estivessem a ouvir. Mas, acredito que muitos que esteja a ler à esta entrevista tem os meus tracks se não tiverem acredito que irão baixar para curtir as barras do Marechal Numero Uno. Se calhar em jeito de fecho, agradecer ao Blog Underground Lusófono por me ter concebido esta entrevista, aos meus fans de Moz e de Angola, ao meu Grupo Magic Sounds, a Matsinhe Xperince/Filmes pelo suporte, ao Boss Akhim, Dj Speech, Roy Sunshine, a Familia, a Dama, e a todos os artistas que tem colaborado comigo e para os que ainda vão colaborar no futuro breve, aos que não citei mas os verdadeiros se conhecem. Khanimamboooo pelo suporte. E não deixem de visitar o meu Facebook/marechalnumerouno, magicsoundsmoz.blogspost.com/ e a facebook/Mxrecord.
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About Underground Lusófono

HipHop/Rap Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal,Timor-Leste, São Tome e Principe.

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