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Underground Lusófono Entrevista: Mono Stereo

Boas pessoal da Lusofonia, trago-vos mais uma entrevista exclusiva desta vez com o rapper angolano Mono Stereo.
Underground Lusófono: Quem é o “Mono Stereo”?
Mono Stereo: Mono Stereo é um homem, um jovem e artista.
Underground Lusófono: Donde surge o nome “Mono Stereo”?
Mono Stereo: O nome Mono Stereo surge de um momento de descontração, dentro do meu quarto. A pensar, a criar e a escrever…
Como todo e qualquer artista quando começa surge sempre aquela necessidade de teres um nome que possa distinguir-te e identificar-te como artísta.
Procurei no dicionário um nome que melhor descrevia, descrevesse a minha personalidade artística.
Apareceu-me o “Mono”. Que se recorrermos aos seus sinônimos encontraremos; Solitário, eremita, isolamento. Era exactamente nesses estados que considerava, considero perfeitos pra criar, elevar-se e procurar atingir outros níveis de pensamento e raciocínio.
Só mais tarde surge o “Stereo (canal de som). Dei ao Stereo uma conotação de música, e juntei então o útil e o agradável e passou a ser Mono Stereo!
Um ser pensante e solitário ligado à música.

Underground Lusófono: Como e quando surgiu a tua paixão pelo rap?
Mono Stereo: A minha paixão pelo Rap surge nas ruas do Rocha Pinto (Avenida 21 de Janeiro) com amigos. Queríamos só mesmo nos divertir… éramos todos putos de 15 à 16 anos de idade. No princípio dos anos de1998.

Underground Lusófono: O que é que te incentivou a fazer rap?
Mono Stereo: Um jovem chamado Neidy. Tudo acontece no Rocha Pinto o bairro em que eu vivia.
Ele é que foi o meu Instrutor. Na altura chamáva-se mesmo instrutor, era o nome mais usual, atribuído a quem ensinava as bases do Rap e etc. Foi ele quem deu-me as instruções do HipHop, os fascículos com filosofias do Rap e suas bases. Deu-me as primeiras letras, os primeiros Freestyles e apresentou-me também as primeiras músicas de Rap.
Falava-me de grupos e artistas como; Prolema Sul, MataFrakuxz, Coligação Periférica, McK, Filhos da Ala Este, Hemoglobina, Black Company, Boss Ac.
Anos mais tarde o Neidy viaja para África do Sul e eu mudo-me para o Morro Bento, fiquei por conta própria e comecei a fazer as minhas próprias cenas até hoje.
Underground Lusófono: Donde vem a tua inspiração?
Mono Stereo: Em tudo!! 
Tudo a volta, para mim, é inspiracional, tudo suicita sempre um ideal. Um ideal para criar, para expressar o que se pensa, o que sente, o que se vive e fazer com que tudo isso ganhe uma dimensão, uma forma e uma vida que depois acaba sempre por ser convertida em Poesia. Música.
Underground Lusófono: Sabe-se que estás a trabalhar no teu 1º álbum intitulado “Estou vivo” ! O Porque do nome “Estou vivo”?
Mono Stereo: “Estou Vivo” por que o título foi precisamente baseado nos ambientes, estados e estágios mentais que vivi como artista.
É um título que conota uma noção de existência, na perspectiva de criar, e dar vida ao que se sente por meio do raciocínio.
Reflecte a obtenção de energias após inúmeros estágios mentais de desgastes, indisposiçoes, desnorteios, equívocos, e outras formas de desequilíbrio, que vivi para concepção do Álbum. Desequilíbrios esses que de alguma forma condicionam a criatividade e as sensações do que se sente…
“Estou Vivo” resume uma soma dos desequilíbrios supra citados e a conversão dos mesmos em energia positiva. Energia esta que revitalizou-me e manteu-me vivo como artista.
Underground Lusófono: Qual é a mensagem que procuras trazer para os angolanos neste álbum?
Mono Stereo: O álbum traz consigo um conteúdo de carácter social. Interventivo e introspectivo.
Cada música carrega em si um centelha de luz para dissipar as trevas, um convite grátis de estímulo do senso crítico do indivíduo, beleza textual viajante que excita qualquer indivíduo a reflexão e fazê-lo sentir ardentemente a sede de paz, de liberdade e de uma sociedade mais justa, mais qualitativa e mais pacífica.
Underground Lusófono: O que podemos esperar deste álbum em termos de Flow, Participações e Produções?
Mono Stereo: Em termos de Flow?? Não sei. Hehehe.
Só posso dizer que esperem um álbum diferente e necessário para o RapNacional. Um grande contributo para o engrandecimento e desenvolvimento da música nacional, do Rap em particular e do HipHop no geral.
Participações temos artistas como Organoydz Ss, Sanguinario, Konkreto, JWime e Kennedy Ribeiro.
Produções; Levell Khronyko, Flagelo Urbano, Silindro, Kallisto, Faroeste e Kennedy Ribeiro.
Underground Lusófono: O teu álbum sairá nas ruas sob selo de que Editora/Produtora?
Mono Stereo: O álbum sairá sob o selo da minha produtora Estilo Classiko
e a minha Label MUM (Movimento Underground do Morrao) na qual fazem parte os meus Tropas Organoydz Ss, Negroydz e Satsang).

Underground Lusófono: Como tem sido o processo de divulgação das tuas cenas?
Mono Stereo: O processo de divulgação das minhas cenas tem sido feito de forma razoável, dentro das condições que disponho para criar desdobramentos e fazer com que as coisas funcionem…
Dizer que nada é fácil quando trabalha-se de forma independente.
Mas graças a mim tenho muitos amigos e relações que apoiam-me; a Mum, KanoKortado, Olimpo Recordz, Orksell, Darkroom e a Zoologiko Produções.
Tenho vindo a fazer divulgação através de Shows, rádios e a Internet, que para mim tem sido uma das maiores ferramentas de divulgação do Álbum, precisamente os Bloggs. Já agora agradecer a todos Bloggers que tem postado às minhas cenas e tem vindo a dar um grande suporte e um grande estímulo ao crescimento e desenvolvimento do HipHop Nacional.

Underground Lusófono: Como descreves a situação actual do hip hop underground feito em Angola?
Mono Stereo: A situação actual do HipHop Underground para mim é intermediária (boa e má)
Mas prefiro aqui somente fazer menção a aspectos que podemos melhorar, na minha opinião!
Precisamos sim que o movimento cresça no que toca ao surgimento de mais Mcs, mas, é muito mais importante que este crescimento se alia ao desenvolvimento.
Sobrepôr a quantidade para qualidade Precisamos fazer letras com substâncias e não simplesmente construir rimas, rimar por rimar sem nenhuma concordância e sentido frasico, sem conteúdo e achar que é fácil.
Precisamos mesmo ensaiar para fazer um show, ensaiar quando se tem uma música por gravar, uma participação por se fazer e etc.
Se não temos capacidade de escrever no estúdio e gravar no mesmo dia, não gravemos pra não fazermos merda.
Nenhum ser humano gosta de ser criticado, por isso é preciso se ter capacidade de aceitar uma crítica bem feita. E deixar da mania pobre de pensarmos que quando criticam-nos ; é por inveja, boicote e num se quê…
Vamos ler, questionar, investigar e se informar.
Tudo isto penso ser fundamental para fazer-se um bom Mc.
Underground Lusófono: Para terminar deixa uma linha de freestyle ou uma mensagem para o pessoal do movimento.
Mono Stereo: “Fico aqui quando muitos decidem partir
Sei de mim tal como o caminho que tenho a seguir
Cultuo com livros e deixo que o tempo me crie
Um pensamento radiante para que sol não esfrie
Não há preço para esse carácter consistente
Não há preço para alma que sabe o que sente
Nado contracorrente, diferente nesse meio
Deixar de ser quem sou é tudo que mais receio
Holofotes brilham menos do que a merda que sinto
Estou perdido aqui e não saio desse labirinto”
Paz. Obrigado pela Entrevista.
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