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Underground Lusófono Entrevista: Free Lady

Trago-vos mais uma entrevista exclusiva, desta vez com a rapper cabo-verdiana “Free Lady”.

O porquê do nome artístico ”Free Lady”?
Inicialmente o meu nome artístico era TSUNAMI, nome que surgiu quando juntei-me ao grupo Esposas do Rap, onde os meus amigos diziam que a mensagem que eu transmitia era como tal, palavras que “destruíam” tudo pela forma como eu as soltava.
Free Lady surge de uma forma mais natural, simplesmente por querer ser FREE, livre, independente! Sentia necessidade de um nome que transmitisse exatamente isso.

Como e quando começa a tua caminhada no rap Criolo?
Começo por escrever a minha primeira letra aos 14 anos. Gravei pela primeira vez quando tinha 15 anos. Uma experiência que me cativou e motivou para que continuasse a fazer aquilo que gostava e gosto ainda.

12984042_1060984903992671_8826348223739102718_oQuais foram as tuas influências?
Comecei a ouvir Rap nacional e internacional com apenas 12-13 anos e, quando via alguns artistas, rappers no palco, sentia vontade de estar a fazer o mesmo que eles. Admirava a forma como eles transmitiam a sua mensagem e sua música.

Donde vem a tua inspiração?
O dia-a-dia. A forma como as coisas acontecem ao nosso redor. As atitudes com que deparamos a cada dia. Os acontecimentos reais da nossa sociedade quer sejam problemáticas, crises, o certo e/ou o errado. A minha inspiração resume-se exatamente a isso: o que eu vejo, o que eu sinto e tento fazer a minha crítica e transmitir as minhas ideias através da minha escrita, do meu rap. Acredito que a música tem o poder de construir mas também destruir. Depende da forma como a fazemos e o propósito na qual enquadramos isso tudo.

Poucos desses anos da tua carreira foram dedicados ao teu Ex grupo ESPOSAS DO RAP. Quais foram os motivos que te levaram a deixar o grupo e seguir carreira a solo? Foi difícil tomar esta decisão?
Foi sim uma decisão extremamente difícil deixar o grupo. Senti que chegara o momento de trabalhar o meu projeto a solo, mas não que houvesse algum problema ou impedimento por parte do grupo em si. Simplesmente decidi trabalhar a minha música sozinha e encontrar o meu próprio caminho. Somos amigas, todas! Continuamos a apoiar-nos a todas nos nossos projetos que vão surgindo!

Fale-nos um pouco desta nova música “OKEY”, qual é a mensagem que trazes nela?
OKEY é mais uma arma na batalha, na luta contra o preconceito. Preconceito no que diz respeito a inclusão da mulher no Rap Crioulo. Ainda é muito recente o surgimento de mulheres no Rap Crioulo daí a necessidade de as motivar, de não deixar com que se continue a dizer que só os homens ou rapazes é que devem ou fazem músicas deste gênero. A música não pertence a ninguém. Cada qual é livre para expressar aquilo que quer, aquilo que pensa e aquilo que sente através da música e do gênero que bem entender. Um outro propósito é apelar a união de todos, sejam homens ou mulheres, rapazes ou raparigas. Se tens um dom deves sempre seguir a tua vontade.

Visto que muitos dos rappers cabo-verdianos apenas rimam em Criolo, em seus projectos podemos esperar algumas musicas em português?
Talvez. Estas coisas não se decidem assim do nada. O Rap é um gênero musical global. A mensagem pode ser levada a qualquer canto do mundo através da universalidade da música. De repente posso surgir com letras em português, em inglês….Quem sabe?!

Como tem sido o processo de divulgação das tuas cenas?
Redes Sociais. Não existe nada mais viral ou meio mais eficiente para se divulgar o que quer que seja do que as redes sociais que temos disponíveis atualmente. Além disso tenho marcado presença em alguns eventos tanto cá em Mindelo como em outras localidades do país, algumas participações, entrevistas nas rádios locais, revistas e televisão nacional.

Quais são os projetos que tens em meta para 2016?
O grande projeto para 2016 é a criação e lançamento de uma EP da minha total autoria. Será um projeto composto por 4 faixas entre as quais vou trazer o Rap Pressão que foi o primeiro a ser lançado e que obteve grande aceitação, Okey que será lançado também em breve e mais duas novas composições inéditas.
A partir daí vou dedicar-me a promoção do mesmo e tentar passar a mensagem o mais longe possível.

Como tu vês o Rap underground feito em Cabo Verde atualmente?
Existem ainda alguns grupos que fazem Rap Underground, ainda que visivelmente são poucos. Na minha opinião é algo que se está a escassear mas pode ser recuperado ainda. Continua-se a ouvir por exemplo os Lod Escur que já têm vários anos de existência e já se ouvem mulheres como uma rapper que surgiu agora recente na ilha de Santo Antão a Dichabad e em Mindelo temos uma grande promessa a Marly Sousa a.k.a Megatron do grupo Esposas do Rap.

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