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Underground Lusófono Entrevista Menestrel

Boas pessoal!

Trago-vos a primeira entrevista do ano (2017) com o rapper Brasileiro “Menestrel“.

Quem é o cara por detrás do Menestrel?
Um cara sonhador, de fato. Um cara que ama o que faz principalmente. Um cara que ainda está se conhecendo, acho que tudo que eu sei sobre mim hoje é que eu sou um cara esperançoso com o cara que vou ser, mas gosto de pensar que sou um cara bondoso, e me policio todos os dias para continuar sendo.

O porquê do nome artístico Menestrel?
Quando eu estava no segundo ano comecei a estudar um pouco mais a fundo o trovadorismo, Menestrel era uma das classes dos recitadores de poesia, gostei da definição do nome, mas sempre achei a sonoridade feia, mas alguns aspectos do que era um Menestrel se encaixavam muito com a vivência de um músico, principalmente de um Rapper, no fato de expor sua arte ora para o publico rico ora para o povo humildade.

Como e quando e começa a tua caminhada no rap brasileiro?
Começou em 2014, eu sempre gostei de escrever poesia mas nunca tinha levado a sério, sempre gostei da rima, mas sempre escondi isso também, guardei pra mim por muito tempo, não sou muito bom em falar, e a rima me despertava um jeito de transmitir minhas ideias de uma forma mais clara do que falando. Sempre fui envolvido na música, desde antes de nascer, a musica foi o meio de sustento de boa parte da minha familia até hoje, eu tinha muita vontade de seguir o caminho mas não sabia como, afinal nunca fui bom com instrumentos mas sempre gostei de cantar, e eu sentia a musica em mim, eu nem ouvia rap intensamente, mas ai quando ouvi o som do 3030, vi que era possível fazer um rap diferente do rap quadrado que eu conhecia, fui atrás e estamos ai até hoje!

Quais são as suas influências musicais?
Eu tenho muitas, mas poucas dentro do rap. A Cássia Eller é a minha maior influência sem duvida, Maria Rita e Alceu valença estão ali disputando o segundo lugar, gosto muito do Lenine também. Dentro do rap a maior influência que eu tenho, tanto como músicos, como pessoas, que depois que conheci só me tornei mais fã, é o 3030, seguido pelo Filipe Ret.

Donde vem a tua inspiração?
Da vida, minha música é minha vida dentro das linhas. Tudo que eu vivo vira rima, mais cedo ou mais tarde, seja um copo que quebrou a um parente que morreu, tudo vai virar rima. Porque eu acho que isso que é a musica, a sua verdade, a sua alma transcrita naquele papel ali.

Diante de um Brasil em que tudo gira em torno deles (do sistema), em que a desigualdade social reina a 100%, em que o sistema escolar, hospitalar, etc, continuam péssimos. Que mensagem procuras trazer para os brasileiros nas tuas músicas?
Nada é imutável. Tudo são ciclos, vivemos um periodo em que jamais o país se encontrou. Um colapso, mas no meio de tudo isso, temos de ter fé que as coisas vão mudar, e consequentemente sem essa fé não vamos agir, tudo vai continuar assim, busco sempre fazer minha parte pra que as coisas mudem, a mensagem que deixo é de união, acho que só se juntando a gente vai conseguir fazer com que as coisas andem, duas engrenagens girando sempre sempre vai ser melhor do que uma parada.

Como tem sido o processo de divulgação dos teus trabalhos?
Bem orgânico, as coisas foram acontecendo como tinham de acontecer, agora os números estão aumetando, é bom ver que o trabalho está chegando na galera, mas nunca tive muita pressa com isso, sabia que mais cedo ou mais tarde isso ia acontecer, é só se preocupar em trabalhar direitinho, fazer na pureza que as coisas se encaminham conforme a ampulheta manda.

Recentemente lançaste o single “Candelabro” com a participação do Inglês, um som que achei forte pra caralho! Fale-nos um pouco deste single, e como tem sido o feedback do pessoal perante o single?
Então, é um single muito forte pra mim pela história dele! Candelabro foi a primeira música que fiz quando cheguei no Rio de Janeiro pra começar a dar início ao processo do meu disco, fui morar um tempo lá na casa do Malak, que hoje é meu produtor executivo, e com o Slim que é meu produtor musical, isso foi a uns 5 meses atrás. Eu e o Slim sentamos no estudio decidimos dar inicio, e nisso ele me mostrou um sample que eu gostei e a musica fluiu, em uma hora eu tinha a letra e ele tinha feito todo o corpo do beat, gravamos e eu não quis escrever segundo verso, e eu já estava conversando com o Inglês pra fazermos uma juntos, enviei pra ele e ele se amarrou e já escreveu no dia. Guardei ele um tempo pra fazermos um clipe e quando ele foi pro Rio não rolou de fazermos, até que o Jean ouviu o som, curtiu e falou pra eu encostar em SP pra gente fazer, o resultado foi esse que vocês viram. O single está repercutindo super bem, muitos elogios em todos os lugares que vou e nos imbox das redes sociais, fico feliz que meu trabalho está tendo essa visão tão positiva perante a galera, só motivação a mais.

Para quando um disco (EP, Mixtape, Álbum, LP)?
A previsão pro meu primeiro disco está pra Maio desse ano, entitulado “Relicário”.

Tens sonho de gravar com alguém? Quem?
Falcão do O Rappa, Maria Rita e o LK do 3030. Tinha um sonho de gravar com alguém de fora do país, mas acho que agora ele vai se realizar então vamos esperar né…

Tens algum desafeto no Rap?
Não, pelo menos ainda não, Respeito todos os rappers que conheci, e todos me respeitaram, lógico que não tem como ir com a cara de todos, mas nunca deixei nada virar uma coisa pessoal, acho que se não existe amizade, o minimo que pode existir é respeito.

Tens tido algum contacto com o Rap que se faz em outros países de língua portuguesa como Angola, Portugal, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Timor-Leste, São Tome e Príncipe?
Pra falar a verdade não sou muito fã de rap americano, o único rap que gosto de fora do país, é o rap de portugal, gosto da lírica dos rappers de lá, do texto principalmente, acho que é o rap que mais se aproxima do que é feito aqui, não sei se pelo idioma ou pela vivência mas temos muito em comum.

Qual a maior virtude de um homem na visão de você?
Honestidade, meu pai sempre me falou que o maior dos malandros é o malandro que anda certo, que não atrasa o lado de ninguém pra adiantar o próprio, falar a verdade é uma grande virtude, ser a verdade é a maior nobreza do homem, ele pode ser um nada, mas ser a verdade o torna maior que qualquer outro que tenha poder e viva uma mentira.

No final de 2016 participaste no Cypher “Poetas no Topo” junto com o Bk’, Djonga, Sant, Jxnvs & Slim. De quem foi a ideia do tema “Poetas no Topo”? Esse Cypher deu mais luz na tua carreira?
Na verdade a ideia do nome veio da minha parte na música, quando eu falo “É POETAS NO TOPO.” Pelo movimento dos “Pretos no Topo” que estava rolando ano passado, que meus amigos inclusive estavam levando, o Froid, o Djonga, o Bk, e nisso fiz uma analogia a esse nome, acabou que o Paulo e o Malak, captaram a ideia, gostaram do nome e ficou. No outro dia a gente gravou o Clipe no 3 andar da casa do Malak e por mera coincidencia, a gente já tava no topo! Sem dúvida, o Poetas botou minha imagem na rua de uma forma que eu comecei a realmente sentir que eu tava dentro do jogo, que eu tava sim no caminho certo, fora a satisfação pessoal de estar dentro de um projeto que eu vi nascer vi crescer e vi se tornar um dos maiores Cyphers do país.

É difícil fazer Rap no país do Samba e do Futebol?
Cara, já foi mais. Hoje em dia eu acho que fazer o rap é muito fácil, tá muito acessivel ter um instrumental, ter um estudio pra gravar, ter um lyric um videoclipe, o futuro chegou. O dificil é ser autentico o suficiente pra fazer o seu rap ser ouvido, fazer o que todo mundo já fez, ou fazer o que tá na moda, isso só te torna mais um. O caminho vai ser dificil de qualquer jeito, não quero dizer que tá dado e que qualquer um tá conseguindo hoje em dia, até porque é uma faca de dois gumes, o mercado fica mais acessível mas em contra partida mais exigente.

Para terminar deixem uma mensagem para o pessoal que acompanha o movimento.
A vida é uma só, viva do jeito que te faz bem, afinal se você viver do que você não gosta por dinheiro ou por status, você vai desperdiçar sua única chance de sentir o maior prazer de todos que é ter carne e osso, ser independente, amar, odiar, chorar, sorrir, tudo isso não tem preço.

Página oficial do rapper Menestral no Facebook: https://www.facebook.com/oficialmenestrel/

Nesta quarta-feira 8/3, Menestrel lançará o single do disco “Relicário” dando continuidade aos trabalhos, segunda faixa ligada ao projeto todo que envolve o disco, um aperitivo do que vocês vão poder esperar pra 2017.

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