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Underground Lusófono Entrevista: Expavi

Boas pessoal!
Trago-vos mais uma entrevista inédita, desta vez com o rapper Cabo-verdiano Expavi, nome artístico de Jair Almeida, considerado por muitos um dos melhores rappers crioulos, autor dos álbuns “A Luta Kontinua”, “História k nunca ess contob”, “K1 class da gaita” e “Guerra Santa”.

Quem é o Expavi?
Expavi é o simples Africano com Rap Criolo das Ilhas que sempre se preocupou com a mensagem e com a preservação da cultura hip hop em Cabo Verde.

O porquê do nome artístico Expavi?
O meu nome artístico Expavi tem seus significados “EXemplo PAra VIda”
EX (EXemplo)
P. (Paz)
A. (Amor)
V. (Verdade)
I. (Igualdade)

Como e quando começa a tua trajectoria no panorama Rap Underground Cabo-verdiano (Crioulo)?
Eu sou Old School e desde 96 comecei a escrever, a fazer minhas primeiras rimas com meu primeiro grupo “Boys scratch” e desde daquele tempo nunca parei, uns anos depois juntei com outros grandes camarada do Rap crioulo, formamos “Plutão Assassin”, anos depois eu e mais 2 Colegas formamos “Rebelds”, até um dia juntei meus tropas da mesma zona e formei “Hip Hop Art”.

Donde vem a tua inspiração?
Minha inspiração venho do meu povo e a sua Dura Realidade, tudo aquilo que me rodeia, que me trás alguns sentimentos de revolta, felicidade ou nostalgia… derrota e de vitoria… de sonhos e de realidades… enfim, depende de temas que pretendo abordar… procuro…

Em suas letras eu vejo uma defesa clara do espírito original do HipHop e da mensagem. Quais foram as dificuldades que tiveste no início da sua carreira?
Eu sou grato por ter conhecido hip hop desde puto, nos anos 95 onde hip hop tava em alta, grandes álbuns e mcs e eu aprendi muito e continuo aprender, hip hop salvou minha vida, eu sei bem a potência, a força que tem sobre ele por isso que até ainda continuo a defender o seu legado, passei muita dificuldade no inicio, tudo parecia impossível quando a cultura era um feto, onde era difícil obter um instrumental original, para gravações, mesmo aceitação do público, mas hoje tudo mudou rap agora é a voz e também é a moda e muito mais…..

Muitos destes anos de carreira foram dedicados ao Hip Hop Art, como, quando e porque decidiste seguir carreira a solo?
Hip Hop Art continua ser uma referência para muitos desde que começamos e sempre dediquei como um fundador principal do grupo com muito amor e respeito para meus companheiros, fizemos 2 álbuns, mas cada um sempre fez trabalho a solo… mas Hip Hop Art é a escola!

Recentemente lançaste o seu 4º álbum de originais intitulado “Guerra Santa”. Fale-nos um pouco desse álbum. O porquê do nome “Guerra Santa”?
Guerra Santa é o renascimento do Rap Original desde das produções e poder lírica fora da comercialização estupida que existe nesse momento, fora desse padrão de moda que esta afundar essa cultura… e também Guerra Santa se Refere que vivemos numa Guerra nesses últimos dias desta educação e programação, desde dentro da sua casa para rua… pais contra filho vise versa, nação contra nação, religião contra religião… etc.

Diante de um Cabo Verdade em que os problemas sociais reinam a 100%, em que tudo gira em torno deles (do sistema), em que a população é vista apenas como números. Que mensagem procuraste trazer para os Cabo-verdianos neste álbum?
Minhas mensagens nasceu nesse seio desse povo sofrido há centenas de anos ainda estamos na mesmo situação, duma forma moderna… eu insisto nas mensagens politico e socias falar realmente daquilo que nos afeta, tentar trazer solução nessa forma de Luta.

Como tem sido o feedback do público em relação ao álbum?
O feedback tem sido grande, bem grande, fiquei surpreso por tantas partilhas, mensagens, like e downloads tudo isso dentro 2 semana depois do lançamento, ainda muitos convites entrevistas também e propostas de shows….

Fale-nos um pouco da ‘Senzala Records’, qual é o seu foco no movimento?
Em primeiro lugar quando criei Senzala Rec em Cabo verde com intensão de unir Mcs Rappers da minha ilha para poder gravar e divulgar seus trabalho, ali muitos gravam pelo custo era bem simbólico com intensão de ajudar e melhorar o nosso Rap, porque eu passei dificuldade quando não tinha onde gravar, eu não queria que isso continuasse a acontecer, eu queria que isso mudasse, por isso Senzala tornou um studio de irmandade e cheio de historias e registo clássico ate agora.

Visto que Cabo Verdade faz parte da CPLP/Lusofonia, não sentes a necessidade de rimar em Português, afim de outros povos entenderem a mensagem que narras por cima dos instrumentais? Quando é que poderemos ouvir um som de Expavi 100% em português?
Português e a nossa língua oficial, mas em Cabo Verde Criol e predominante criamos nela… mesmo obrigatório nas escolas mas, dia a dia é o Criol, nunca pensei mas é uma possibilidade de rimar em português sim… futuramente quem sabe.

Como vejas o Rap independente em Cabo Verde? Achas que está no bom nível?
Rap em Cabo Verde lutou conquistou o seu espaço, sem editora, sem mercado, mas hoje temos público garantido nos shows… mas podia estar melhor se paramos de emitar os americanos e parar com futilidades e falta de originalidade, mas temos um Rap Potente nas ilhas, com uma tendência tremenda aqui no Underground!!!!!

Ouça “Guerra Santa” | Baixa “Guerra Santa”

Facebook: Jair Almeida Expavi

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