Início / Rap Angola / Underground Lusófono Entrevista: Shak Shura

Underground Lusófono Entrevista: Shak Shura

Boas Pessoal!
Trago-vos mais uma entrevista inédita, desta vez com o rapper angolano Shak Shura.

Quem é o Shak Shura?

(Shak Shura) Guilherme José, filho de Venâncio José e de Maria Quilombo, nascido aos 01-08-1980, no município do Sambizanga, jovem lutador e sonhador, pessoa amiga, simpática e altruísta, nascido de uma família humilde cujos pais fugiram da guerra e tiveram de adaptar-se a uma nova vida em Luanda, passamos por muitas dificuldades e várias vezes ficamos sem ter oque comer, vestir e onde dormir, sempre presenciei e tentei ajudar os meus pais na luta pela sobrevivência, carrego comigo marcas de luta pelos caminhos trilhados, não me envergonho de dizer as pessoas como cresci ou de onde vim, minha mãe foi zungueira e o meu pai (R.I.P V. J) carpinteiro, quase faltou nos tudo exceto em casa mas nunca faltou-nos o amor, em suma fora do Rap sou como um jovem qualquer do “Ghetto”, que vive e sente as dificuldades na flor da pele, num País órfã de igualdade social e oportunidades para os jovens.

O porque do nome artístico Shak Shura?

O Pseudónimo Shak Shura surge por influências de Guros que tenho seguido como: Juddu Krishnamurti, Daila Lama e outros historiadores Africanos, que têm uma perspetiva da vida totalmente diferente daquilo que o sistema (MATRIX) criou, fascinei me com palavras como Ubunto, Altruísmo, Paz, Prosperidade e amor ao próximo logo percebi que o mundo resume-se apenas em algumas palavras, Tais como: sabedoria, Humanidade, Amor, Consciência = S.H.A.K (att: pus o K só para dar mais feeling no nome) o Shura, é uma terminologia inglês que significa atirador, como sempre fiz rompimentos (Freestyle) dai surgiu este nome Shooter, mas com o andar do tempo fui-me apercebendo que Hip-Hop é uma cultura muito seria, e não surgiu com propósito de atacar os irmãos verbalmente, e ser um bom Mc de batalha não te torna bom Rapper, logo associe estes dois nomes que tornou-se a simbiose coesa de dois espíritos num só corpo.

Como e quando começa a tua trajectora no panorama Rap Underground Angolano?

A minha trajetora no Rap underground começou em 1999, por influência de amigos e Rappers da nossa praça como: Unoczar, Infinite Crew, Internacionalmente: Boss Ac, Black Company, Dealema e muitos outros do mercado norte-americano como: Dead Preaz, Talib Kwali, Mos Def, Nas, Pharao Monch, DMX, Tupac etc.

O que é que te incentivou a fazer Rap?

O sofrimento, desigualdade social, racismo, capitalismo selvagem, corrupção e injustiça, são até hoje os meus maiores inceptivos para fazer Rap.

Donde vem a tua inspiração?

A minha inspiração vem maioritariamente do meu quotidiano e depois de grandes influencias como: David zê, Urbano de Castro, Jacinto tchipa, Irmãos Almeida, Mc K, 15 + Duas, Bob Marley, Otis, Tupac, Lauryn Hill, Tracy Chapman, Ghandi, Jiddu, Krishnamurti, Azagaia, Duas Caras & Kanjalados, Nkuame Nkruma, Amilcar Cabral, Marcus Garvey, Samora Machel, Thomas Sankara e muitos outros que deram grandes contributos em prol da Africa e da emancipação dos povos negros.

É neles que penso, quando escrevo as minhas letras subversivas, perco o medo porque eles viverem sem medo e morreram livres.

Sabe-se que estás a trabalhar no teu álbum de originais intitulado “Homem Novo”, que na qual já disponibilizaste 4 singles de avanço. Diante de um país como Angola em que tudo gira em torno deles, em que o sistema hospitalar, escolar, etc, vai de mal pior, em que o povo já não tem esperança, que mensagem trazes para os angolanos nesse álbum?

O meu maior foco neste álbum é trazer a verdade para aqueles irmãos que estão adormecidos sobre a realidade politica, económica e social.

Mensagens de amor, paz, esperança, irmandade, altruísmo e motivacionais.
Embora eu acredito que pra revertemos o quadro político precisamos de uma rebelião civil, procuro ser muito cautelosos ao expor esta ideia vendo que temos uma população analfabeta logo o diálogo do artista deve ser muito cauteloso de modos a não despoletar odio e guerra.

O porque do nome “Homem Novo”?

Sempre fiz Rap Underground, mas em meados de 2007 tive um desvio, na altura já me encontrava na Africa do sul onde vive durante 8 Anos, desvinculei me do Rap consciente e comecei a fazer Main Stream, 2009 lancei o meu EP intitulado “ Mambo Humido” que teve as participações de Extremo Signo, Dmage Mc, Simimi Ni Moyo, Reptile e outros músicos Sul Africanos, as pessoas não receberam muito bem a minha nova identidade musical.

Meus amigos conversaram muito comigo e decidi dar uma pausa de 5 anos e procurei amadurecer mais como pessoa primeiro e depois como músico, ainda me sinto longe do que tenciono-me tornar mas cada vez sinto me mais próximo disto…

A ideia é tentar viver na plenitude, amar mais, perdoar mais, esperar pouco dos outros, julgar menos os outros, trabalhar na honestidade, ser mais altruísta, e ter a capacidade de dizer a verdade sem medo da morte, desapegar-se dos bens materiais, ajudar sempre quem precisar de mim, fazer sorrir mais o próximo, dai surge surge o nome do álbum “ Homem Novo”.

Quando é que começaste a gravar e quais são as dificuldades que tens enfrentado?

Comecei a gravar o álbum em junho de 2017.
As dificuldades têm sido os cortes de energia.

Quanto a produção e participações, o que podemos esperar desse álbum?

A produção tem a mão mágica do Doraimoon Cazanuva.

Participações: Jay- Lourenzo, Black Historiador, Lil Jorge, Dr. Romeu, Arman Jason, Nick Mc, Kakulo Mc, Simimi Ni Moyo, 40 Kanos, Nelia Dias e outras surpresas.

Como tem sido o feedback do pessoal em relação aos 4 singles de avanço do álbum “Homem Novo”?

O feedback do pessoal tem sido muito positivo, eu próprio não contava que atingiria o amago das pessoas deste jeito. Quero agradecer a todos que têm dado o apoio incondicional.

“Homem Novo” sairá nas ruas sob selo de que editora?

Homem Novo sairá por duas editoras independentes:
Dream River & Kanjalados Entertenimentos.

Tens quantos projectos nas ruas?

A princípio estou focado no meu álbum, então tive de deixar todos os outros projetos, como a minha mixtape.

Como vês o Rap Independente feito em Angola?

O Rap Independente em Angola, anda muito mal, em termos de produção, conteúdo, e o mais grave união.
Existe uma grande contrariedade e radicalidade no que concerne a definição do termo underground, ficamos tão limitados que fomos ultrapassado pelo tempo, presos no termo underground não podíamos dançar Kizomba (Risos) não podíamos comer maionese (Gargalhadas) não podíamos cantar em shows com músicos de outros estilos, não podíamos fazer collab com outros cantores a não ser de Rap, não podíamos cantar com muito flow, beats sem um nível aceitável de musicalidade e nem muito menos vender ou promover seriamente os nossos produtos, a repercussão disto foi drástica hoje sentimos o quanto isto atrasou o movimento independente. Ficámos a deriva cada um por si e Deus para todos e nos programas de Rap só tocam músicas de amigos.

No álbum homem novo, vocês poderão encontrar variedades em termos de produção, quanto ao teor musical será sempre em torno de músicas interventivas, a ideia é fazer um Rap bom com musicalidade extensiva, que até a minha avó possa ouvir (Risos) por mais flow e cantar em beats mais dançantes de, modos que as pessoas dancem e ao mesmo tempo reflitam. Este é um dos meus grandes desafios…

Comentários

Sobre Underground Lusófono

HipHop/Rap Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal,Timor-Leste, São Tome e Principe.

Além disso, verifique

Miss Skills – Femme Fatale [Download]

A rapper angolana Miss Skills acaba de lançar o single “Femme Fatale” para download gratuito. …

%d bloggers like this: