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Underground Lusófono Entrevista: Khronic

Boas pessoal!
Trago-vos mais uma entrevista inédita, desta vez com o rapper moçambicano Khronic.

Antes de tudo, quem é o mano por detrás do personagem Khronic?

Saudações comunidade hip hop lusófono em especial as comunidades Moçambicana e Angolana. Khronic é uma outra face do Ilcer Isac Doce, Moçambicano, formado em Historia Politica e gestão Publiga pela Universidade Pedagogica de Mocambique, Delegacao de Nampula. Para além do rap, sou funcionário publico.

O porquê do nome artístico Khronic?

Este nome surgiu como consequência de um comportamento que eu adoptava num passado longínquo, mesmo no início da minha carreira antes como simples amador do hip Hop. Consistia em baixar as calças sempre que fosse pra rua, como forma de me identificar como rapper (coisa muito popular para época) pois em casa não era permitido andar de as calças abaixo da cintura.

Portanto, este processo era inverso assim que voltava, isto é, devolvia as calças a cintura, lugar donde nunca deviam ter saido… Dai que meus amigos diziam que o rap era minha doença crónica. Anos depois quando abraco o rap como carreira artística adoptei o nome pois já estava bem enraizado e julguei que seria fácil fazer as pessoas se recordarem… Por’em, já tinha usado outros como IJ, Crazy D…risos…

Como e quando começa a tua trajectora no panorama Rap Moz?

Meu primeiro contacto com o rap foi por ai 95 – 96, mas só no ano 2000 decidi entrar num estúdio para fazer os meus primeiros sons…Fui bastante influenciado pela minha geração pois em Moz nesta época houve uma avalanche de hip hopers… quase toda uma geração estava relacionada com o hip hop… todos a sua medida.

O que é que te incentivou a fazer Rap?

A faculdade de me expressar dum jeito que considero simples e flexível… simples porque não preciso de ser necessariamente selectivo em relação ao tema a abordar… flexível pois o rap é um estilo que aceita tudo e todos…não é muito “rigoroso”.

Porém, eu já trazia a veia da escrita. Sempre gostei de escrever poemas. Então foi um casamento perfeito cujos frutos colho hoje…quero dizer com isso que no meu processo de produção musical a coisa mais simples de fazer é a letra.

Quais foram as dificuldades que tiveste no início da tua carreira?

Várias…foram tantas que perdi a conta…acho que se não passasse por elas não daria o amor e a responsabilidade que dou aos meus trabalhos… aliás, talvez nem estivesse aqui… aquele ditado sabes “easy come… easy go”.

Qual é a tua visão artística?

Deixar que o coração ganhe uma forma vocal e toque as pessoas que com ele se identificam…minha música é isto, dizer coisas difíceis usando termos acessíveis.

Sabe-se que estás a trabalhar no teu álbum de originais intitulado “Retratos”, que na qual já lançaste dois singles de avanço “Minhas Bênçãos” e “Não leves a peito”. O porquê do nome “Retratos”?

Retratos é meu 2º álbum, sendo o 1º Tentativa Queda e Superação… este álbum é mais pessoal dai o nome…pois lá tem muito de mim…

Diante de um Moçambique em que tudo gira em torno deles (do sistema), em que a desigualdade social reina a 100%, em que a população é vista apenas como números, em que o sistema escolar, hospitalar, etc, continuam péssimos… Que mensagem trazes para os Moçambicanos neste álbum?

A mensagem de autosetima é o prato forte das minhas faras musicais…lembro os a necessidade de sobreviverem a tudo o que der e vier… mais do que isso a pertinência de se conhecerem e saberem o seu lugar na sociedade e no mundo…o despertar da consciência…entendes

Quando é que começaste a trabalhar no álbum e quais são as dificuldades que tens enfrentado?

A um ano e meio… Pra ser sincero no que tange a produção e concepção do disco não enfrentei dificuldade alguma que seja de tamanha relevância…ganhei boa experiencia com o 1º álbum e hoje entro em estúdio sabendo o que vou lá fazer…gosto de me prepar… gosto de me organizar…até para dar uma palestra de 5 minutos eu me preparo…pois descobri com a televisão (na altura em que fiz Hip Hop Randza) que a organização e preparação são a forma mais fácil de gerir imprevistos.

Quanto as produções e participações, o que podemos esperar?

Este álbum traz o melhor em termos de produtores nacionais e também quanto as participações…experimentei novas vozes que tanto admiro ….

Quando é que o álbum sairá nas ruas e sob selo de que editora/label?

O álbum devia estar na rua já desde Fevereiro mas por razões que não importa aqui abordar sairá em Abril ou Maio… porem importa referir que os Cds já estão em Moz, após o processo de reprodução na vizinha África do Sul. Brevemente

Quanto aos singles lançados, como tem sido o feedback do público?

Super super dope… o pessoal ainda curte cenas conscientes…o pessoal estava com fome de me ouvir e melhor ainda pois trago numa vertente totalmente da do primeiro cd…

Como tem sido o processo de divulgação das tuas cenas?

Gracas a matsinhe Xperience (Prime & Dj Speech) estamos a trabalhar nisso e não mediremos esforços para fazer chegar o cd até onde pudermos…

Quantos projectos tens nas ruas?

Inúmeros… Tenho em vista uns dois ou três álbuns colaborativos… de momento ‘e tudo que posso partilhar…podem também ver boa parte do meu material no youtube…tenho lá o álbum inteiro e vários vídeos, shows, entrevistas… etc

Como vês o Rap Independente feito em Moz?

Vejo como a falta de opção… pois nem todos queríamos estar a traz das coisas sozinhos ou contando com o apoio dos amigos… labels fariam a diferença porem ca eu particularmente não as vejo com bons olhos… acho que expõe o artista ao ridículo e por fim matam no..

O que achas do site Underground Lusófono?

O Underground Lusófono é um site imparcial e que esta promovendo uma cultura inteira independentemente da raça cor religião etnia etc…estão de parabéns e continuem segurando esta bandeira da humildade unindo fronteiras…Bem haja UL…

Deixe uma mensagem ou uma linha de Freestyle para os amantes de bom rap e para os teus fãs.

Adiram ao Retratos e suportem aos verdadeiros…apoiem nos em tudo que puderem pois nos fazemos por nós mas também muito mais por vocês…

Biografia Khronic

Khronic (Ilcer Isac Doce) é um rapper Moçambicano que se interessou pelo Movimento/Cultura Hip Hop desde os finais de 1996 e princípios de 1997. Altura esta em que ouvia musicas de rappers norte americanos como 2Pac, Dr Dre & Snoop Dogg. Sem imaginar que fosse possível fazer rap em português, Black Company, Boss AC e Gabriel O Pensador imprimem uma nova dinâmica na forma de ver o movimento, trazendo a esperança de um dia tornar se rapper. Nos finais de 99 e princípios de 2000 começa a dar os primeiros passos, baseando se especificamente na composição de poesias e usando instrumentais americanas para compor suas próprias musicas (mixtapes). Ainda em 2000 cria seu primeiro grupo de rap ao lado de Helio Nhangumbe aka Cream, que se chamava Mundo Supérfluo, tendo feito algumas faixas na Kondonga Studios e separado se de seguida. Começa a caminhada a solo até aceitar o convite para integrar no grupo Almas Habitantes (com Soares Prime Akim, Plus Agnelio Jossias, Dj Speech, Seiva, Naparama & Vate). Porem, devido a sua localização (mais de 2000 km entre as províncias de Maputo a Nampula), em 2010 decidi criar o seu próprio estúdio e começa a gravação do seu trabalho a solo intitulado Tentativa, Queda…Superação, que entra em breve para o mercado nacional Moçambicano. Khronic conta com 6 obras audiovisuais: • Caneta & Papel (2010) • Sonhar (2011) • Pra ti qu estas a espera (2012) • Serias Capaz ft Jr New Joint (Fevereiro de 2013) • A historias que escrevemos com Mentor (2013) • Quer ames ou odeies ft Rui Michel (2013)
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Sobre Underground Lusófono

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