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Underground Lusófono Entrevista: Barras

Trago-vos mais uma entrevista exclusiva, desta vez com o rapper Português “Barras”. Recentemente lançou o seu primeiro álbum intitulado “O Lugar Que Não Existe“.

Quem é o Barras?
Barras é o nome de guerra de Bruno Barreirinhas, é uma personagem, é uma identidade, é um rapper que cresceu numa zona suburbana, é um estudante de sociologia, é um criativo, é um subversivo, é um operário de um mercado laboral precário.
Barras é um idealista, é um sonhador com espírito revolucionário. Barras é uma visão do mundo… é uma filosofia.

Como e quando começa a tua caminhada no Rap Tuga?
A minha caminhada começa em fins de 99, foi quando comecei a consumir hip hop. Na altura chegou até mim em formato de cassete, em fita, e em VHS, onde via os VideoClips do canal francês MCM. Mas só em 2003 é que comecei a rimar com grupo de amigos de Rap Criamos os “ RPK” fazíamos atuações em Escolas Secundárias e tivemos dois temas nossos selecionados para “ Revista Hip-Hop Nation”. Como tivemos um bom feedback das nossas cenas, optamos por desenvolver projectos independentes, nomeadamente com maior relevância foram o álbum “ Entrada Clandestina” de Street Soldiers, em 2005 e no álbum “ projecto Mary Witch” de Halloween em 2006. Entretanto decidi afastar-me, mas foi em 2010 que comecei a desenvolver es11659424_961126250606041_6684368666794880250_nte projecto.

O que é que te incentivou a fazer rap?
O que incentivou-me foi própria liberdade de expressão que podes dar numa música, no rap podes falar de tudo o que queres e o que sentes… não tens que ter restrições, tens que ser apenas o que és. E acho que isso é nos maiores incentivos que se pode ter deste estilo musical.

Donde vem a tua inspiração?
A minha inspiração vem das pequenas coisas do nosso dia-a-dia, vem de uma conversa com amigos, vem dos livros que leio, dos filmes que vejo, dos sons que escuto, vem na esperança de ter uma vida melhor, vem dos dias em que parece que nada acontece. Vem do amor e do sofrimento que temos ao longo da vida.

Recentemente lançaste o teu primeiro álbum “O Lugar Que Não Existe”. O porque do nome “O Lugar Que Não Existe”?
Todos nós temos o direito de procurar a nossa felicidade, e de encontra-la mas quando estás num lugar onde as carências são permanentes … em que a maior parte do tempo dás por ti a pensar como vou arranjar dinheiro para pagar as contas, onde a igualdade parece um delírio dos académicos, porque vês que á Homens que controlam os monopólios e que ditam as regras do jogo. Então, reparas que a tua liberdade apenas é circunscrita.
Foi dessa observação que dei ao título do Disco “O lugar Que Não Existe” uma vez que correspondia ao conceito das músicas.

Diante de um país que quase tudo vai de mal a pior devido a crise. Qual é a mensagem que procuraste trazer para os Portugueses neste álbum?
A mensagem é muito simples, está na altura de fazer alguma coisa, acho que devemos guiar pelas nossas vozes interiores e que nos ajudam e estimulam a fazer algo de diferente do que ficar somente á espera. Não podemos estabelecer limites, devemos ir além dos limites, e o importante é estar envolvido em algum projecto, e se acreditas, vai até ao fim. Seja lá o que for, um curso, um negócio, uma obra artística… O importante é estar a fazer algo e não sucumbir às dificuldades e contratempos, essa é mensagem que procuro transmitir neste álbum.

Quais foram as dificuldades que tiveste para lançar este álbum?
Tive algumas dificuldades e alguns contratempos, mas como procurava em ter um trabalho de qualidade, tentei reunir as condições necessárias, ter um orçamento adequado para puder gravar num bom estúdio, ter bons técnicos de som… e isso foi feito quase de som a som, depois á sempre uma fase que não dependes só de ti pra coisas acontecerem… mas no final fiquei satisfeito com o resultado. A paciência é uma virtude, já dizia o meu Avô.

11016822_881246988593968_5406326562663142663_nQuais são os produtores e músicos que trabalharam contigo?
A minha ideia era reunir os “ beatmaker” do mundo lusófono e consegui alguns, desde de Angola, Brasil, Moçambique e Portugal. Tenho nomes como o Conductor, Sam The Kid, Laudz, Dário, M, Conexão, Leelo, Darksunn, Nel Sentimentum, e nas vozes tenho forte colaboração de Valete, Radar e dos cantores BabaSoul, CiskSemedo e Andrea Vertessen e ainda interpretação da actriz Raquel Oliveira e do Carlos Gonçalves.

O Lugar Que Não Existe” saiu nas ruas sob selo de que Editora/Produtora?
O lançamento do álbum “ O Lugar Que Não Existe” é totalmente independente, é uma edição de autor, tive o apoio de um primeiro vídeo promocional realizado pelo Will Soldiers em 2010, e o Airton o representante da “ Sonoterapia” financiou o designer para o realização do trabalho gráfico do álbum.

Como tem sido o feedback do público em relação ao álbum?
Tem sido muito boa, sinto que as pessoas identificam-se com as músicas e com a mensagem. Sei que vivemos numa era em que informação é constante e o tempo é escasso e ter a percepção que as pessoas retiram um pouco do seu tempo para ouvir as músicas, isso é muito gratificante.

Como tu vês o Rap underground feito na Tuga actualmente?
O rap tuga tem muitos jovens talentos… á muitos bons rappers, tens muitos bons “Punchliners” com muitos estilos. Mas é preciso avisar que não basta ser “ entertainers” o rap também é música e às vezes parece que se esquecem disso.

Podem adquirir o álbum “O Lugar Que Não Existe” em:
http://www.sohiphop.com.pt
http://www.amazon.com

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