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“Só se vive uma vez” de Rage é um convite à reflexão da nossa existência

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Rapper assume álbum também como uma crítica

Mais do que um bom liricista, o tal moçambicano com esquemas rimáticos ovacionados por toda lusofonia mostrou, em entrevista ao “O País”, que é um bom orador. Chama-se Rage, embora tenha estampado nos documentos Sumaíla Afito Saíde, conta-nos um pouco sobre o seu primeiro álbum discográfico, “Só se vive uma vez”, lançado em Abril do ano passado.

O rapper assume este CD como uma crítica, mas não só: “um convite para olharmos dentro de nós e repensarmos a forma como estamos a interpretar a nossa existência. Acredito que várias pessoas já passaram por este momento e chegou a altura de Rage passar por este momento. Acredito que é um fenómeno cíclico das sociedades, a altura em que tens de ter, tens de ser, tens de fazer, tens de provar; onde as pessoas, quando te encontram, já não perguntam como estás, perguntam o que é que tu fazes. E nós temos de correr atrás desses títulos, atrás dos diplomas, dos casamentos, de uma boa casa e estar bem apresentado na rua”. Para o rapper, essas exigências sociais fazem com que as pessoas adoptem uma forma de estar menos humana e passamos para aquilo que o nosso interlocutor chama de “modo robótico de ser e estar”, porque “temos de estar naquele turbilhão, naquela correria… é um solo vendido para 20 milhões de pessoas, e nós temos de chegar lá antes dos outros e, em algum momento, esquecemo-nos de nós mesmos, que pisamos o chão, que respiramos e que existimos. Sacrificámos pessoas próximas, porque temos metas a atingir”.

É a essência deste CD. E a música que espelha claramente esse cenário é a que empresta o nome ao álbum. O objectivo não é mais do que “resgatar a nós próprios, redescobrirmos a nossa existência e, de facto, olharmos para nós como merecedores desta vida que em algum momento somos livres de abdicar desses títulos em busca da nossa felicidade”, secundou.

Fonte:  O País

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