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Luso: “o meu álbum (Lusolândia) está mais virado ao fenómeno corrupção”

Nesta segunda-feira (09/09), o rapper angolano Luso, membro da produtora Cave Play, lançou o tão aguardado álbum “Lusolândia”.

Lançado em formato digital e disponível para download gratuito, “Lusolândia” é o primeiro álbum de originais do rapper Luso.

O álbum vem acompanhado de uma entrevista cedida ao nosso portal (Underground Lusófono), onde o rapper Luso explica como surgiu a ideia do álbum e a construção de seu conceito. Confira:

1 – Após 1 ano do lançamento da mixtape “255 Quadro 88”, um tributo ao teu irmão, agora estás de volta com o lançamento do teu primeiro álbum de originais “Lusolândia”.

a) O porquê do título Lusolândia?

Lusolândia, ou Luso que é o meu nome artístico mais “lândia” que é quase um estrangeirismo da palavra inglesa land que em português significa terra, é um resumo daquilo que se vive no meu mundo. Este álbum é um bilhete de passagem para que as pessoas possam viajar para dentro das terras do Luso, todas as faixas foram cantadas na primeira pessoa embora nem todas as historias tenham sido vividas por mim.

b) Diante de uma nação angolana em que tudo vai de mal a pior, o Rap tem sido uma das maneiras de fazer reclamação social (críticas reais e sinceras). Que mensagem procuraste trazer para os angolanos neste álbum?

O meu álbum está muito virado ao que mais assola o nosso país que é o fenómeno corrupção, mas a mensagem que eu trago não é só sobre quem é corrupto, em algumas musicas eu explico o porquê de haver este fenómeno (ex. faixa Sr. Juiz ) e noutras eu mostro como este fenómeno podia ser evitado (ex. faixa Desde O Berço).  Em terapias médicas para um toxicodependente o primeiro passo para a recuperação é assumir-se como sendo viciado em drogas, tal como disse no paragrafo anterior, todas as faixas do álbum foram cantadas na primeira pessoa, fi-lo deste jeito primeiro porque acho importante deixar-mos de apontar o dedo aos outros e assumirmos que o mal está em nós mesmos e que nada vai mudar se nós não mudarmos, segundo porque o principal objectivo do álbum é pôr as pessoas que eu quero atingir a cantar as musicas e assumirem que erraram mesmo sem o darem conta lololol.

Luso: "o meu álbum (Lusolândia) está mais virado ao fenómeno corrupção"

c) Contendo 15 faixas, quais foram as dificuldades que tiveste ao longo do processo da gravação do álbum “LUSOLANDIA”?

Para vos ser sincero, não me recordo de dificuldades relevantes nem no processo de escrita nem no processo de gravação a não ser algumas falhas de energia num ou noutro dia (lolol). Feliz ou infelizmente a morte do meu irmão Vitó transformou a minha forma de ver o mundo e libertou em mim uma inspiração que há muito dormia, tanto que 4 ou 5 meses depois do lançamento da Mix Tape 255 Quadro 82 eu já tinha o álbum escrito e a captação foi feita mais ou menos no mesmo tempo.

d) Quanto as participações e produções, quem tu trazes no Lusolândia? Conseguiram superar as tuas espectativas?

Tanto na produção como nas participações eu não quis ir buscar grandes nomes da nossa praça primeiro porque eu acho que existe muita gente que produz e canta com a mesma qualidade que os cantores mais sonantes do mercado, depois porque eu quero que as pessoas oiçam o meu álbum porque é o Luso a cantar e não porque tem este ou aquele cantor nas participações. Nas vozes tive as participações do Muta, Nucho, Marley do Beat, Sidjay e Soldier, produção contei com os produtores da Cave Play David Beats e Marley do Beat que representaram Angola no album, com o meu mano Fizz que está em Londres, com o Franklin e o Mr. Mabiala que são da Tuga e com o Proofless que é de Moçambique, a mistura e masterização esteve a cargo do Camufingo que vive na Alemanha, tudo isso culminou na imagem perfeita da Lusolândia!

Luso: "o meu álbum (Lusolândia) está mais virado ao fenómeno corrupção"

e) Das 15 faixas, qual foi a que mais te impressionou?

Sem duvidas é a faixa Esperança que dediquei ao meu filho por ele ter passado por uma cirurgia 5 dias depois de nascer, de uma forma socialmente activista eu canto dizendo que espero estar cá quando ele fizer quarenta anos mas que não quero que ele passe tudo o que nós adultos passamos enquanto Angolanos, que ele viva numa Angola bem melhor do que a dos dias de hoje e não tenha que gritar “lujéééé´”.

f) Quanto a evolução artística, que diferença trazes do Luso da mixtape “255 Quadro 88” e o Luso do álbum “Lusolândia”?

Luso da mix tape é completamente diferente do Luso do álbum, na mix tape eu exibi mais habilidades em termos de flow e métricas em cenas mais egotripping, no álbum eu primei mais pela mensagem e certifiquei-me de que todas as palavras são percebidas do jeito que eu quis transmiti-las, não existe tanto speed flow, trouxe um lado mais storyteller e algumas faixas com significado duplo. Artisticamente sinto ter crescido porque a porque penso ter feito uma escrita melhor conseguida.

 g) O álbum sai nas ruas em formato digital e para download gratuito. O porquê dessa decisão? Como a Cave Play encarou isso?

Antes de entrar na Cave Play eu já tinha combinado comigo mesmo que a primeira mix tape e o primeiro álbum que eu fizesse seria para oferecer aqueles que me ouvem desde o início, claro que foi um choque com a produtora porque houve recursos gastos na elaboração da obra mas felizmente chegamos a um entendimento e a minha causa foi bem aceite pelo C.E.O, tudo foi uma questão de princípios da minha parte e entendimento por parte da produtora.

  h) Já com dois singles de avanço nas ruas, “Tempo Ao Tempo” e “Outro Lado Da Moeda”, o que esperas da recepção do público concerte ao álbum?

As duas faixas foram muito bem aceites pelos que já tiveram a oportunidade de as ouvir, porém eu prefiro não fazer juízos e não criar expectativas ilusórias a não ser cenas do tipo se 10 pessoas gostaram da mix tape e pelo menos 11 gostarem do álbum este 1 a mais já representa um crescimento para mim mas é claro que todos nós queremos ser ouvidos pela maioria e nós cantaremos vitória se assim for.

 i) Estás satisfeito com o resultado final do álbum?

Muito satisfeito com o álbum, com a produtora e comigo mesmo. É realmente gratificante quando tu pões na balança as obras que já fizeste e sentes que a mais actual superou a obra passada.

Álbum: Luso – Lusolândia

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