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Underground Lusófono – Entrevista: Valete

 

Underground Lusófono - Entrevista: Valete
Underground Lusófono – Entrevista: Valete

 

Saudações mundo do Rap, Hoje trago-vos uma entrevista feita exclusivamente pelo site Underground Lusófono, espero que gostem e conheçam mais sobre o artista entrevistado.

O artista de hoje chama-se: VALETE

Para quem nunca ouviu as músicas do Artista e deseja ouvi-lo, Assista esses 2 Vídeos recomendados pelo site:

Valete – BFF (Pro. Baghira)

Valete – Colete Amarelo (Prod. Devakuo)

Depois de uma conversa bastante agradável entre o rapper Valete e o Carylson Alberto (Editor-chefe do site Underground Lusófono), chegou o momento das questões, é o que realmente Interessa.

Questões:

1- Valete, qual é o seu principal objectivo como Rapper?
R: Nenhum irmão. Gosto de rap , gosto de música, quero apenas partilhar com as pessoas as minhas crenças , as minhas experiências e o meu talento.

2- Quem é o Valete fora do mundo da música?
R: Um gajo super normal, caseiro apaixonado por futebol , música e cinema.

3- Já vimos um Valete a posicionar-se contra alguns artistas que assinaram pela Sony Music, e hoje o Valete Assina pela mesma editora.
a) O que levou o Valete à assinar pela Sony?
R: Já posicionei contra artistas que assinaram pela sony? Não me lembro. A presidente da sony Music e uma grande amiga minha e é uma pessoa que eu quero ter perto de mim até ao final da minha carreira. Fazia todo o sentido fazer parceria com eles. Eu farei mais 2/3 álbuns depois encerro a minha carreira. Logo a seguir terei uma editora onde lançarei novos artistas. E quero ter esta editora em parceria com a sony porque eles têm a estrutura necessária para dar aos artistas tudo o que necessitam. Está parceria com a sony é algo que iniciará com o projecto valete e continuará com a editora que lançarei depois de terminar a carreira.

b) Quais foram as claúsulas do Contrato?
R: Valete não quis a sony , a sony é que quis o valete. Eles conhecem-me bem. O meu rap é sujo e politicamente incorrecto. Será tudo igual. Apenas terei mais condições para executar o meu plano como idealizei.

c) Não acha que foi meio contraditório você ter assinado pela Sony?
R: Não. Seria se fosse há 15 anos atrás. Hoje as editoras não fazem artistas de sucesso. Hoje as editoras querem trabalhar com artistas que já têm sucesso, porque hoje tudo é orgânico. Eles sabem que eu já tenho um público, sabem o quanto é que eu posso vender. E eu uso a estrutura deles para ser ainda mais forte . Eles ganham eu ganho. É uma parceria perfeita. Com a sony vou conseguir ter uma distribuição de vinil , cassetes , cds , merchandising que cobrirá o país inteiro e que poderá chegar ao Brasil. Jamais conseguiria isso sem a estrutura deles.

4- Sabemos que o Valete é um São-Tomense nascido em Portugal.
a) Por que o primeiro Show de Valete em São Tomé e Principe só aconteceu este ano?
R: O nosso cachet é relativamente alto e somos 8/9 pessoas na equipa de concertos. Já tive vários convites mas só agora é que um promotor conseguiu reunir as condições para nos levar. Para além do cachet, pagar mais 9 viagens é difícil para os promotores são-tomenses.

b) Vejo o Valete a falar muito pouco ou mesmo nada, sobre o estado do Hip Hop em São Tomé e Principe. Porquê?
R: Não estou em São Tomé. Então não conheço a fundo o movimento de lá. Conheço alguns rappers mas não sei o suficiente para falar sobre o estado do Hip hop são-tomense.

c) O Valete se identifica com o Hip Hop em São Tomé?
R: Claro eu sou são-tomense e faço rap são-tomense. Mas, o facto de não estar em São Tomé limita imenso a minha visão sobre o movimento lá.

5- Há 2 anos, o Valete lançou a música intitulada “Poder”, onde aborda sobre algumas teorias eurocentricas e não menciona nenhum nome ou teoria africana, esse ano o mesmo Valete Lança a música “Colete Amarelo” onde manda “Foder” o VASCO DA GAMA e diz para às escolas ensinarem “SHAKA ZULU”.
a) Temos um Valete diferente ?
R:  Não, não há diferença nenhuma. Poder é um tema que fala de luz, iluminação e Iluminismo. A minha educação é essencialmente europeia. Eu não domino história africana. Falei naturalmente das referências que tenho e daquelas que consigo comprovar historicamente para esse tópico em concreto. Em 2019 já tens muita história africana que está cientificamente comprovada, mas tens também muita história africana que tem muita fragilidade científica. São coisas que são contadas , propagadas mas que ainda carecem de certificação científica. Então, naturalmente falei nesse tema das personagens que estudei e conhecia bem. Também poderia falar de referências asiáticas , Sul americanas não o fiz porque são partes da história mundial que não domino para esse tema em concreto. Para esse tópico em concreto dificilmente arriscaria alguma referencia africana, mas eu tenho imensas referências políticas e revolucionárias africanas . Sempre falei delas na minha música. Shaka Zulu é uma delas.

6- No Vídeoclipe da música “Colete Amarelo”, o Valete e alguns participantes do Vídeo, estavam com a indumentária “DASHIKI” (estilo afro).
a) Quer mandar alguma mensagem através da indumentária ?
R: Sim interessa-me afirmar cada vez mais a minha africanidade. Nasci em Portugal , mas sou africano. E acho importante aproximar as gerações mais novas de afro-descendentes que vivem na Europa da cultura africana.

b) Por que o título “Colete Amarelo”?
R:  O movimento coletes amarelos é um movimento de protesto político que a certa altura tornou-se esquizofrénico. Humanista e violento, patriota e radical. Sinto que é algo muito parecido com o meu rap . Vejo o Valete da mesma forma. Sinto- me uma espécie de Ghandi belicista.

7- O que podemos esperar desse novo Álbum ?
R: O álbum a valete. Vou ter espaço para experimentar muita coisa. Vou fazer um rap mais reflexivo, vou ter rap mais estético, rap cinematográfico, músicas cantadas. Será certamente álbum mais versátil de todos.

8- Com quantos anos o Valete começou a cantar e o que levou a entrar no mundo do Rap?
R: 16 anos. Foi uma entrada normal. Começamos a ver negros americanos a fazer rap. Cantavam histórias de vida parecida com as nossas, isso inspirou-nos a fazer o mesmo.

9- Todo mundo tem uma história triste para contar, como disse o músico angolano “Totó” numa das suas músicas. Qual é a história triste da sua vida que tens a partilhar para nós?
R: Tenho várias obviamente, mas sem dúvida que a morte do meu pai é a mais marcante de todas.

10-  Sobre a música RAP consciente, foi beef ou não para a Força Suprema ?
a) Prodígio e o Nga responderem a música RAP consciente, há uma resposta para eles ?
R: É claro que o rap consciente não foi para a Força Suprema. Rap consciente é uma crítica generalizada ao estado do rap naquela altura. Eu sei bem o que é ser um emigrante africano na Europa , sei bem qual é o sofrimento de um negro na europa. A não ser que seja um ditador ou um genocida dificilmente vás ver o Valete com esta idade a criticar publicamente um homem negro. Todos os negros são meus irmãos de sangue . Exceptuando os negros que fazem mal ao povo negro todos os outros são meus irmãos de sangue. Qualquer crítica que eu tenha que fazer a força suprema farei em privado, cara a cara com eles e nunca publicamente.

11- Respeitando todos os artistas que já trabalharam consigo, quais são os artistas que mais gostou de trabalhar?
R: Os artistas com quem mais aprendi em trabalho foram: Dino de santiago, Sam the kid e Slow J.

12- No princípio tudo é difícil, quais foram as pessoas que serviram de incentivo acreditando na sua arte?
R: Meu irmão adamastor, sempre me apoiou. Principalmente nos momentos de maior dúvida.

13- De todos os lugares que já actuou, qual foi o lugar que mais o marcou?
R: Hardclub no porto e Maputo. Não só pela adesão do público mas, porque eram públicos super Hip Hop. Era como se fosse uma plateia de gente que sente rap da mesma que tu.

14- Há muitos Amantes de Rap que dizem “Kid Mc” é cópia de Valete.
a) O que tem a dizer sobre isso?
R:  Não acho mesmo nada, não acho o Kid Mc uma cópia de Valete.

b) O que acha do rapper angolano Kid Mc?
R: Não sei como é que os angolanos veêm o kid Mc , mas daqui de Portugal nós olhamos para o kid Mc como uma das lendas do rap angolano. Aqui olhamos para o kid como um Mc histórico para o rap angolano.

15- Quais são as dificuldades e facilidades que você já enfrentou até hoje no Universo Rap?
R: Dificuldades principalmente ao início . Era muito difícil quando comecei gravar em bons estúdios e era muito difícil conseguir bons Beats. Portugal tinha 3/4 grandes produtores que eram quase inacessíveis . Desses grandes produtores quem me deu a mão foi o Sam the kid que me ofereceu 3 grandes Beats para o meu álbum de estreia. Fez uma grande diferença. Agora pela trajectória que tenho as coisas são mais fáceis para mim a quase todos os níveis.

16- Quais são os Artistas que você deseja trabalhar?
R: Estou com bué pica de fazer Sons com o Phoenix Rdc e com Sam the kid. Os 2 dos meus mcs favoritos.

17- Tendo em conta ao Hip Hop na lusofonia, qual é o conselho que deixa para os novos artistas fazedores de rap Alternativo?
R: Que nunca cedam a pressão de fazer música mais plástica. Quanto mais aumentarem de qualidade, mais aumentarão os seguidores. Isto é uma maratona. Que se foda a fama, arte em primeiro sempre. Eles só têm que estar focados na arte. Se a música for incrível muita vai aderir por mais alternativa que seja. Qualidade e integridade na música é sempre sinónimo de longevidade.

18- De todas as músicas, quais foram as músicas que mais o marcou ao escrever?
R: Tenho músicas que ainda não saíram que são super marcantes por serem muito pessoais

19- Quais são os artistas que mais admiras/Respeitas no movimento “RAP” feito em português?
R: Respeito muitos mcs. Mas, os que mais me influenciaram foram Xeg , Sam The kid , Marechal , Azagaia , 2 Caras, Mck , Ikonoklasta , Flagelo Urbano , Keita Mayanda, etc…

20- Para finalizar: Qual é a Crítica ou elogio que tem para o Site Underground Lusófono?
R: É uma referência do Hip hop lusófono. Continuem sempre. Fiquem abertos a possibilidade de irem para outros formatos como YouTube por exemplo. Vocês são essenciais para a cultura Hip hop.

Fim de Entrevista.

Para o final, reservamos esse espaço para ouvirem a música intitulada “Anti Héroi” do artista entrevistado.

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About Carylson Alberto

Saudações, sou o Editor-chefe do site Underground Lusófono. Queres que o site divulgue o seu projecto? Podes entrar em contacto comigo. Facebook: Carylson Alberto. Whatsapp: +244 922 390 278 email: resgatadormental@gmail.com instagram: carylson alberto

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