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Festival Decolonial de Rap é divulgado em grandes instituições a nível mundial e prepara programação especial

Evento foi divulgado por Harvard e IASPM e contará com dois shows coletivos “utópicos” e dois debates “impossíveis” no final de semana

O “Festival Decolonial de Rap: Espaço Lusófono?” iniciou na última quarta-feira (29) e tem conseguindo mostrar uma programação repleta de grandes atrações, alternando debates, shows e exposição de beats, com uma programação focada em países do perímetro colonial português: Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Guiné-Bissau. Entretanto, há um ciclo de atrações extendida para outros 20 países.

Duas instituições de pesquisa de alto padrão de exigência e qualidade a nível mundial já divulgaram esse evento. Trata-se da IASPM e Universidade de Harvard. A IASPM é a International Association for the Study of Popular Music (traduzido como Associação Internacional para o Estudo da Música Popular), sendo considerada a instituição mundial mais respeitada em relação aos estudos de música popular. A instituição enviou convite para todos es pesquisadores um dia antes de iniciar o evento, convidando todes para acompanhar o evento.

A Universidade de Harvard é a mais conceituada instituição de ensino a nível mundial e possui um centro focado estudos afro-latinoamericanos, o Afro-Latin American Research Institute (ALARI). Mensalmente, a instituição elege as atividades que mais interessam ao seu núcleo de pesquisadores e envia uma newsletter notificando-os para ficar atentos nas principais atividades afrolatinoamericanas. Dentre as atividades destacadas, na newsletter recebida neste dia 31 de julho, o Festival Decolonial de Rap foi uma delas.

Durante a programação do evento, ainda há professores de grandes instituições de pesquisa, como es pesquisadores do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Boaventura de Sousa Santos e Sara Araújo; a professora sênior da Universidade de São Paulo (USP), Tânia Macêdo, que dirigiu o Centro de Estudos Africanos e a professora Karlla Araújo, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Boaventura é o único que ainda não participou da atividade e estará no próximo domingo (2).

Vale ressaltar que, apesar desse impacto conseguido pelo evento, o Festival tem acontecido integralmente sem recursos financeiros, patrocinadores ou investidores, sendo promovida pelo Barras Maning Arretadas, coletivo que reúne promotores do Slam Mossoró e rappers de quatro cidades do interior de Moçambique (Beira, Chimoio, Nampula e Quelimane).

O Barras Maning Arretadas inclusive busca inscritos para o seu canal de Youtube, já que possui atualmente pouco mais de 100 inscritos e necessita de 1000 inscritos para conseguir transmitir em seu canal do Youtube. Com isso, transmite em seu Facebook, na página de artistas e de instituições parceiras.

As duas instituições convidadas para dividir tarefas com a equipe do Barras Maning Arretadas foram duas instituições africanas focadas exclusivamente no hip-hop: Bloco 4 Foundation, de Moçambique e Universidade Hip Hop, de Angola.

Ninguém do Barras Maning Arretadas possui vínculo com qualquer instituição de ensino ou pesquisa atualmente, nem recebe recursos monetários pelos seus trabalhos desenvolvidos no hip-hop. Assim, esse Festival Decolonial serve para focar em alternativas para artistas que estão no lado underground do movimento hip-hop em países e regiões historicamente excluídas.

A programação completa pode ser vista em www.barrasmaningarretadas.com

Programação

A programação do fim de semana promete shows “utópicos” e debates “impossíveis”, que prometem serem históricos.  Há debates reunindo coletivos feministas de todos os países em que o evento foca, um show promovendo as identidades colonizadas atualmente, um debate focado na reinvenção do rap nessa época de pandemia e um show coletivo com artistas que sofreram restrições de liberdade, chamado de “Censurados”.

Confira as atrações:

Rap e Feminismo: Como foram as experiências coletivas no espaço lusófono? (13h do Brasil, 16h de Portugal e Angola, 17h de Moçambique)

No sábado (1), o debate é sobre “Rap e Feminismo: Como foram as experiências coletivas no espaço lusófono?”. Nesse debate, foram convidadas rappers que criaram ou lideraram coletivos plurais reunindo várias MC´s mulheres do seu país e que buscam através da sororidade vencer a barreira da invisibilização contra elas. Com isso, estão convidadas as seguintes artistas: Sharylaine (Brasil), Guiggaz M Power (Moçambique), MAMY (Angola), Flavinha (Cabo Verde), Shiva (Portugal), a pesquisadora Susan Oliveira (Brasil), além da mediação de Turmalina MC (Brasil). O debate inicia às 13h do Brasil, 17h de Angola e Portugal, 18h de Moçambique. Após esse debate, ainda haverá participações especiais de Talucha (Moçambique), HyuNai (Moçambique), King A Braba (Brasil), Isadroga (Brasil) e Magi (Brasil). Confira o cartaz:

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Show Identidades Decoloniais (16h do Brasil, 20h de Portugal e Angola, 21h de Moçambique)

A teoria decolonial contraria a percepção de que o processo colonial já foi encerrado, com a chamada descolonização dos países. Dessa forma, o show Identidades Decoloniais visa promover as identidades que ainda são colonizadas atualmente, devido a uma opressão que visa silenciar quem pensa em uma sociedade diferente. Assim, serão mostrados rappers que cantam em línguas não ocidentais, artistas de regiões fora dos grandes centros dos seus países, rappers feministas, imigrantes e veteranos que criaram coletivos unindo o maior número de rappers possível, para utilizar o acesso à estrutura, visando ampliar o acesso as plataformas para o maior número de pessoas possível.

Sendo assim, o cartaz do Identidades Decoloniais conta com es seguintes artistas:

Angola: MAMY, Meséne Nguxi, San Caleia e Paul MyAC.

Brasil: Odisseia das Flores, MC Shaira Mana Josy, Pepeu Savant, Sharylaine e Gaspar (Záfrica Brasil).

Cabo Verde: Nitry, Flavinha, Shawwydop e JapPires.

Guiné-Bissau: DeusDaRima

Moçambique: Tchacka, Sistah Afrikah, Shackal, Professor Analfabeto, Olho Vivo, The Real2Fingers, Gill Puff One e Filady.

Portugal: Guiné, Lady R e Shiva.

São Tomé e Príncipe: Waik Maik, Zafa MC, Mc Karboss, Kedy Santos e Pekagaboom.

 

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Debate Reinventar o rap e o slam e as novas dinâmicas sociais a partir do Covid-19 (13h do Brasil, 16h de Portugal e Angola, 17h de Moçambique)

Como o rap e o slam estão se adaptando as novas dinâmicas sociais desde a crise do Covid-19? É essa pergunta que direciona o debate do próximo domingo (2). Do lado do slam, estarão nos debates Roberta Estrela Dalva, da organização do Slam BR e Kimani, que representou o Brasil na Copa do Mundo de Slam, que aconteceu de modo online. Além disso, haverá participação de Jéssica Beck, que criou uma batalha de slam no interior da Paraíba, logo no início da pandemia. No rap, estarão nomes experientes do rap de intervenção social em cada um desses países, são eles: GOG (Brasil), Função Inversa (Moçambique) e Eva Rap Diva (Angola).

A mesa ainda terá a participação de acadêmicos que lutam por espaços dentro da academia para o rap de intervenção social: Boaventura de Sousa Santos (Portugal) e Tirso Sitoe (Moçambique). Boaventura de Sousa Santos é um renomado acadêmico, que tem mostrado interesse ao rap nos últimos 10 anos, promovendo eventos focados no rap, bem como escrevendo artigos e livros sobre o tema. O sociólogo defende que o rap ocupa um espaço social que a esquerda política e academia perderam, porque o rap essencialmente é um diálogo político feito entre os periféricos, enquanto a academia e a política possuem, recorrentemente, estruturas fora do âmbito acadêmico e que buscam ganhar a academia. Já Tirso Sitoe é o criador da Bloco 4 Foundation, uma instituição de pesquisa que é derivada do primeiro grupo de rap criado nas periferias de Maputo, a capital de Moçambique: o Bloko 4. Sitoe criou a instituição de pesquisa, devido a insatisfação com a falta de estrutura das universidades para a causa do hip-hop, e já conseguiu a publicação de documentários, livros e congressos focados no rap, apesar de ser uma instituição com pouco mais de dois anos de existência.

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Show Censurados (16h do Brasil, 20h de Angola e Portugal, 21h de Moçambique)

“Censurados” é um show que reúne artistas que sofreram restrições de liberdade ao longo de suas carreiras, tendo sido presos, censurados ou perseguidos politicamente, devido ao seu caráter interventivo. Os comentários serão de dois artistas que sofreram censuras em seus países: MCK (Angola) e Eduardo Taddeo (Brasil). Haverá ainda uma participação especial de Chullage, cidadão de origem cabo-verdiana, que nasceu em Portugal e mantém uma postura de aversão aos veículos de comunicação.

De Angola, foram convidados todos os artistas que fazem parte do caso 15+2, que estiveram presos entre junho de 2015 e junho de 2016, por estarem debatendo um livro revolucionário, são eles: Ikonoklasta, Drux-P, Cheick Hata e Samussuku. Hata e Samussuku fazem parte do grupo Movimento Extremista Terceira Divisão, que tem membros que não estiveram presos no episódio.

Além disso, haverá participações de rappers que sofreram restrições de liberdade em seus países: Negro Bey (Guiné Equatorial), MC Mario (Guiné-Bissau) e Hertz Dias (Brasil).

 

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Sobre: Carlos Mossoró

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